Cresci na igreja. Fui forjado numa igreja batista e, especialmente na organização Embaixadores do Rei. Lá passei por todos os postos. Desde Candidato até o último dos postos superiores - Embaixador Plenipotenciário. Num dos famosos acampamentos de verão no Sítio do Sossego, que sempre acontecia em janeiro, havia o que era chamado de 'a tarde da decisão'. O Pastor Francisco Antonio de Souza, missionário da JMM nos Açores, era o pregador convidado daquele acampamento. Aquele ano, naquela tarde, parecia que Deus estava falando diretamente comigo. Me decidi. Quando fui à frente encontrei dois amigos de Embaixada. O pastor Levi Melo e o Edmilson Guerra. Amigos de igreja, de embaixada e futebol. Futebol na igreja e fora dela, fazendo testes e sonhando ser jogador profissional. Tínhamos entre 14 e 15 anos e o relatório daquele acampamento na igreja era de três vocacionados. A igreja nos acolheu carinhosa e orgulhosamente. Eu achava que Deus estava me chamando para ser pastor. Era natural imaginar isso porque ser vocacionado por Deus naquela 'cosmovisão', era quase sinônimo de ministério pastoral. Cresci sendo observado, desafiado e mergulhado nessa vocação. Meu pai, nosso conselheiro, criou o mês dos ER. Fazíamos tudo na igreja. Desde o trabalho de zelador até, num domingo a pregação. Por isso, nosso pastor, pastor Waldir Guerra, nos orientou e ensinou como pregar para atuarmos nos cultos que eram realizados nos lares. No final do curso individualizado, o pastor apresentou um material que a JUERP produzia com folhetos com esboços de pequenos sermões.
Quando terminei o ensino médio passei no vestibular para artes na UFRJ mas não pude estudar 'no Fundão' porque o curso era de tempo integral e para enfrentar as aulas teria que pedir demissão do trabalho. Lógico que imaginei que Deus estava me 'conduzindo' para o Seminário. Mesmo assim, sem certeza, fiz uma prova para o CPOR (Corpo Provisório de Oficiais da Reserva) e não passei. Os reprovados do CPOR já estavam com a liberação do serviço militar bem encaminhada. Mas, para minha surpresa, algum oficial leu minha ficha do alistamento e percebeu que eu já era um profissional na área artística - comecei a trabalhar na JUERP com 14 anos como aprendiz do SENAI de artes gráficas. Na época eu já era ilustrador de quatro revistas. Duas para EBD (Vivendo e Crescendo) e outras duas da União de Treinamento (União de Juniores e União de Adolescentes). Assim, fui 'agarrado' no serviço militar para desenhar 'mapas de guerra' como soldado do exército. Fiquei no emprego como freelancer e na caserna por dez meses.
Neste período conheci minha namorada, que hoje é minha esposa. A conheci por conta de um trabalho de arte - o painel para coroação de rainha das MR (Mensageiras do Rei) na igreja de minha colega de trabalho de JUERP, Marilda Pessanha. Ela era membro da IB de Vicente de Carvalho. Marilia, filha do pastor Genésio, meu superior na JUERP, tinha vida totalmente dedicada à igreja. Sempre muito estudiosa, crente fiel, compartilhava comigo os desafios e os trabalhos do Reino. Acompanhei seu desempenho como Rainha da Associação Ouro e seu brilhante desempenho como Rainha dos Adolescentes do RJ. Ela, então minha namorada, viveu intensamente minhas crises para ir ao STBSB. Devo ou não ir para o seminário? Aceito ajuda da igreja ou faço o seminário por minha conta? Dizia isso pensando que se fosse para uma faculdade a igreja não iria pagar nada. Conversávamos muito, ela sempre me apoiou, mas sempre deixou que não queria ser 'esposa de pastor'.
Continua em Vocação e chamada 2
2 de mar. de 2016
29 de fev. de 2016
Minha conversão
Fui apresentado ainda bebê na igreja Batista de Benfica. Quando fui levado à frente, ganhei um novo testamento que ainda guardo comigo. Vivia, como qualquer criança correndo no quintal e nos corredores da igreja. Meus amigos estavam ali, o terreno da igreja era o quintal da minha casa. No espaço do templo recebia carinho, ensino e atenção. Ir à igreja era uma satisfação. Lembro bem das farras no caminho, junto com meus irmãos. O percurso era muito longo para uma criança e nós eramos cinco. Meu pai com o Wagner no colo, minha mãe com a Bianca e eu , Evert e Thetis correndo no caminho. Coincidência ou não encontrávamos outros irmãos no caminho do templo e aí o prazer era ainda maior. Sou o segundo de um grupo de cinco irmãos. E foi na igreja que surgiu mais uma irmã. A amiguinha de minha irmã Thetis 'perdeu' o pai e foi 'abraçada' pelos meus pais e minha família. A Rose Liane passou a ser mais uma 'moleca' em casa. Primeiro nos fins de semana e depois, na adolescência, todos os dias.
Cresci sendo desafiado com as poesias para decorar, os versículos, a música e os 'deveres' de casa da classe da Tia Darlene Sheidegger "Cristo tem amor por mim com certeza creio assim..." ou 'por mim morreu Jesus..." Lembro que fui chamado atenção porque sempre que o pastor fazia o apelo e dava um jeito e ia à frente. Assim, antes de completar nove anos eu já havia pedido para ser batizado mas, naquele tempo, a recomendação era que nenhuma criança deveria ser batizada antes dos dez anos. Ouvi e me lembro bem disso numa das concorridas assembleias regulares da igreja. Minha professora de EBD me defendeu. Lembro bem dela ter ficado em pé e dado testemunho de minha 'vidinha de crente'. Quando fui 'sabatinado' diante da igreja em minha profissão de fé, naquela época deveríamos responder a qualquer pergunta do plenário, lembro que fui abraçado pelo pastor e, diante de todos, recebi um beijo da Tia Suzana Campelo. Fui batizado no primeiro batismo do ano que completei dez anos. E, em 31 de março de 1974 na igreja batista de Benfica, fui batizado pelo pastor Sérgio Paulo Azeredo Boechart
Com menos de um ano de batizado minha carta de transferência chegou à igreja Batista de Costa Barros. Senti um orgulho muito grande de ter meu nome lido na assembléia. "Recebemos a família do irmão Rubens', dizia o pastor Waldir Guerra e ao receber leu o nome do meu pai, da minha mãe e o meu, como membros transferidos daquela 'igreja irmã' ele dizia, para a nossa.
Foi na igreja batista de Costa Barros que comecei minha caminhada como ER. E, depois de batizado é que experimentei a exata noção de conversão. Conversão é mudança de rumo. Mudança que é resultado de arrependimento e fé. Morávamos em Costa Barros e eu estudava na Pavuna. Não poucas vezes voltava a pé para casa a fim de economizar dinheiro da passagem. Comecei a 'me sentir' independente. Desenvolvi amizades bem diferentes das que eu tinha na igreja. Comecei a jogar bola depois da aula, a ficar muito sujo para voltar para casa e conseguir a casa de um amigo para 'maquiar' minha sujeira. Aprontava uma molecagem aqui, outra um pouco maior ali e assim desenvolvi uma vida 'bem moleque' longe de casa e uma vidinha comportada no espaço doméstico. Comecei a jogar futebol de forma apaixonada e para isso era preciso 'enfrentar' adversários sem medo. Comecei a me envolver em brigas e para não ficar fragilizado, 'colei' com os mais temidos da escola. Minha fama no colégio não era muito boa e num domingo, na praça de Costa Barros, enquanto o culto era feito na praça, os meninos e meninas iam distribuir folhetos. Eu, como estava no 'papel de crente' fui junto com todos os meninos, como costumava fazer. Na segunda feira meu 'amigo de farras' falou diante da classe da escola que eu era crente. Fiquei muito sem graça, não neguei e depois, no intervalo, fui 'tirar satisfação' com o 'segundo maior bagunceiro' da classe. Quem te disse que eu sou crente Renato? Eu vi. Ele disse e explicou: Passei de carro com meu pai, que era corretor de imóveis, e te vi com uma bíblia distribuindo folhetos. Fiquei arrasado e confirmei a história. Vivi profunda culpa, arrependimento. O sentimento foi semelhante ao do apóstolo Pedro ao esquivar-se enquanto o Senhor estava sendo julgado e surrado (Mt 26.33 e depois Mt 26.58). A lembrança do compromisso dos ER ecoava em minha mente com força avassaladora 'terei uma vida pura, corrigirei os meus erros, seguirei a Cristo o Rei. Se assim não for para que nasci?" Minha maior surpresa foi saber que o Renato também temia a Deus e frequentava a Igreja adventista do sétimo dia. Mudei de vida, de atitude e todos da classe começaram a comentar que eu tinha 'virado' crente mesmo.
Cresci sendo desafiado com as poesias para decorar, os versículos, a música e os 'deveres' de casa da classe da Tia Darlene Sheidegger "Cristo tem amor por mim com certeza creio assim..." ou 'por mim morreu Jesus..." Lembro que fui chamado atenção porque sempre que o pastor fazia o apelo e dava um jeito e ia à frente. Assim, antes de completar nove anos eu já havia pedido para ser batizado mas, naquele tempo, a recomendação era que nenhuma criança deveria ser batizada antes dos dez anos. Ouvi e me lembro bem disso numa das concorridas assembleias regulares da igreja. Minha professora de EBD me defendeu. Lembro bem dela ter ficado em pé e dado testemunho de minha 'vidinha de crente'. Quando fui 'sabatinado' diante da igreja em minha profissão de fé, naquela época deveríamos responder a qualquer pergunta do plenário, lembro que fui abraçado pelo pastor e, diante de todos, recebi um beijo da Tia Suzana Campelo. Fui batizado no primeiro batismo do ano que completei dez anos. E, em 31 de março de 1974 na igreja batista de Benfica, fui batizado pelo pastor Sérgio Paulo Azeredo Boechart
Com menos de um ano de batizado minha carta de transferência chegou à igreja Batista de Costa Barros. Senti um orgulho muito grande de ter meu nome lido na assembléia. "Recebemos a família do irmão Rubens', dizia o pastor Waldir Guerra e ao receber leu o nome do meu pai, da minha mãe e o meu, como membros transferidos daquela 'igreja irmã' ele dizia, para a nossa.
Foi na igreja batista de Costa Barros que comecei minha caminhada como ER. E, depois de batizado é que experimentei a exata noção de conversão. Conversão é mudança de rumo. Mudança que é resultado de arrependimento e fé. Morávamos em Costa Barros e eu estudava na Pavuna. Não poucas vezes voltava a pé para casa a fim de economizar dinheiro da passagem. Comecei a 'me sentir' independente. Desenvolvi amizades bem diferentes das que eu tinha na igreja. Comecei a jogar bola depois da aula, a ficar muito sujo para voltar para casa e conseguir a casa de um amigo para 'maquiar' minha sujeira. Aprontava uma molecagem aqui, outra um pouco maior ali e assim desenvolvi uma vida 'bem moleque' longe de casa e uma vidinha comportada no espaço doméstico. Comecei a jogar futebol de forma apaixonada e para isso era preciso 'enfrentar' adversários sem medo. Comecei a me envolver em brigas e para não ficar fragilizado, 'colei' com os mais temidos da escola. Minha fama no colégio não era muito boa e num domingo, na praça de Costa Barros, enquanto o culto era feito na praça, os meninos e meninas iam distribuir folhetos. Eu, como estava no 'papel de crente' fui junto com todos os meninos, como costumava fazer. Na segunda feira meu 'amigo de farras' falou diante da classe da escola que eu era crente. Fiquei muito sem graça, não neguei e depois, no intervalo, fui 'tirar satisfação' com o 'segundo maior bagunceiro' da classe. Quem te disse que eu sou crente Renato? Eu vi. Ele disse e explicou: Passei de carro com meu pai, que era corretor de imóveis, e te vi com uma bíblia distribuindo folhetos. Fiquei arrasado e confirmei a história. Vivi profunda culpa, arrependimento. O sentimento foi semelhante ao do apóstolo Pedro ao esquivar-se enquanto o Senhor estava sendo julgado e surrado (Mt 26.33 e depois Mt 26.58). A lembrança do compromisso dos ER ecoava em minha mente com força avassaladora 'terei uma vida pura, corrigirei os meus erros, seguirei a Cristo o Rei. Se assim não for para que nasci?" Minha maior surpresa foi saber que o Renato também temia a Deus e frequentava a Igreja adventista do sétimo dia. Mudei de vida, de atitude e todos da classe começaram a comentar que eu tinha 'virado' crente mesmo.
20 de fev. de 2016
Ballet, arte e vida - Mariana Esteves 15 anos
A dança é uma das seis grandes artes.
A Música (som),
as Artes Cênicas - teatro, dança e coreografia- (o movimento)
a Pintura (cor),
a Arquitetura (espaço),
a Escultura (volume) e
a Literatura (palavra).
A arte é sempre uma expressão humana.
O ser humano foi criado à imagem de Deus. O poeta diz 'é o sopro do criador numa atitude repleta de amor'. Deus colocou um pouco de si dentro de nós. Somos a 'imago dei'- a imagem de Deus. Ele nos formou, assim diz a Escritura. Ele colocou em nós seu fôlego e nos tornamos 'alma vivente'. Corpo que tem vida! Vida que se manifesta no corpo.
E a dança? O que tudo isso tem a ver com a dança? A dança pode ser divertimento, pode ser uma forma ritual, ou pode ser arte.
Gosto de pensar que a arte é um processamento interno. Usamos mente e coração para fazer arte.
Se é processamento é fruto de uma essência que se revela, se expressa por meio da linha, do corpo, do som, da cor, do volume.
A arte nos torna mais humanos e, ao mesmo tempo, mais parecidos com Deus. É verdade. A primeira linha da Escritura já revela isto: 'No princípio Deus criou...' O poeta bíblico diz que 'Os céus manifestam a glória de Deus" (Sl 19.1). A arte é produzida pela criatura, a criatura carrega semelhanças com o Criador.
Creio que podemos traçar paralelos entre a arte e a vida.
A arte é movida por, pelo menos, quatro características:
PAIXÃO - Muita gente, você sabe, fica fascinada pela arte e diz: sou apaixonada por dança, por desenho, ou qualquer outro tipo de manifestação artística. A vida também é assim. Muita gente gosta disso ou daquilo outro quando vê, quando observa e admira os outros. Mas a arte e a vida são dinâmicas. Não dá pra ficar só na paixão, na admiração. A arte deve se transformar em impulso. Este impulso leva a coragem.
CORAGEM - A arte exige coragem. Coragem de ser. A coragem é aquele senso moral intenso diante do risco ou do perigo. A palavra coragem vem do latim, 'cor' que significa coração e a definição original era 'contar a história que você é com o coração'. Na arte e na vida é preciso ter coragem. Tem gente que passa a vida sem saber o que quer. Múltiplas paixões, milhares de desejos e nenhuma coragem. Só quem tem coragem assume o 'risco' da dedicação.
DEDICAÇÃO - Se tem algo que caracteriza o artista é a dedicação. Não dá pra pensar na execução sem esforço. Pensemos na música. Quem toca um instrumento sem ter passado por 'sofrimento'? Quem é que gosta de desenho sem nunca ter 'rasgado o papel'? Quem é que ama a dança, o movimento artístico, sem dor? Força e flexibilidade são frutos de treino, treino, treino. Gosto de pensar teologicamente. Deus criou o mundo e nos colocou nele com a tarefa de 'cuidar do jardim'. Ele nos abençoa mas nós elaboramos, criamos também. A vida é feita da parceria Ser humano e Deus.
REFLEXÃO - Finalmente a reflexão. Refletir é observar, é pensar bem. É ter a 'cabeça no lugar'. Diga, por favor, se algo nos caracteriza tão bem como humanos? A diferença entre o artista e o artesão está justamente aí. O artesão reproduz com imensa habilidade mas é só reprodução. O artista reflete. O dançarino vê diferente, o olhar do pintor é diferente.. Jesus disse: "se os seus olhos forem bons todo o seu corpo será iluminado'. Olhe para dentro. Descubra o 'sopro divino' em você. Deus é o criador. Ele transformou o caos e cosmos - palavra donde vem cosmético. Dito de outra forma, Deus transformou o desorganizado em belo.
O artista das bailarinas é Edgar Degas. Ele pintou a Classe de Ballet em 1874 disse:
Se pintar não fosse tão complicado, não seria tão divertido.
A Música (som),
as Artes Cênicas - teatro, dança e coreografia- (o movimento)
a Pintura (cor),
a Arquitetura (espaço),
a Escultura (volume) e
a Literatura (palavra).
A arte é sempre uma expressão humana.
O ser humano foi criado à imagem de Deus. O poeta diz 'é o sopro do criador numa atitude repleta de amor'. Deus colocou um pouco de si dentro de nós. Somos a 'imago dei'- a imagem de Deus. Ele nos formou, assim diz a Escritura. Ele colocou em nós seu fôlego e nos tornamos 'alma vivente'. Corpo que tem vida! Vida que se manifesta no corpo.
E a dança? O que tudo isso tem a ver com a dança? A dança pode ser divertimento, pode ser uma forma ritual, ou pode ser arte.
Gosto de pensar que a arte é um processamento interno. Usamos mente e coração para fazer arte.
Se é processamento é fruto de uma essência que se revela, se expressa por meio da linha, do corpo, do som, da cor, do volume.
A arte nos torna mais humanos e, ao mesmo tempo, mais parecidos com Deus. É verdade. A primeira linha da Escritura já revela isto: 'No princípio Deus criou...' O poeta bíblico diz que 'Os céus manifestam a glória de Deus" (Sl 19.1). A arte é produzida pela criatura, a criatura carrega semelhanças com o Criador.
Creio que podemos traçar paralelos entre a arte e a vida.
A arte é movida por, pelo menos, quatro características:
PAIXÃO - Muita gente, você sabe, fica fascinada pela arte e diz: sou apaixonada por dança, por desenho, ou qualquer outro tipo de manifestação artística. A vida também é assim. Muita gente gosta disso ou daquilo outro quando vê, quando observa e admira os outros. Mas a arte e a vida são dinâmicas. Não dá pra ficar só na paixão, na admiração. A arte deve se transformar em impulso. Este impulso leva a coragem.
CORAGEM - A arte exige coragem. Coragem de ser. A coragem é aquele senso moral intenso diante do risco ou do perigo. A palavra coragem vem do latim, 'cor' que significa coração e a definição original era 'contar a história que você é com o coração'. Na arte e na vida é preciso ter coragem. Tem gente que passa a vida sem saber o que quer. Múltiplas paixões, milhares de desejos e nenhuma coragem. Só quem tem coragem assume o 'risco' da dedicação.
DEDICAÇÃO - Se tem algo que caracteriza o artista é a dedicação. Não dá pra pensar na execução sem esforço. Pensemos na música. Quem toca um instrumento sem ter passado por 'sofrimento'? Quem é que gosta de desenho sem nunca ter 'rasgado o papel'? Quem é que ama a dança, o movimento artístico, sem dor? Força e flexibilidade são frutos de treino, treino, treino. Gosto de pensar teologicamente. Deus criou o mundo e nos colocou nele com a tarefa de 'cuidar do jardim'. Ele nos abençoa mas nós elaboramos, criamos também. A vida é feita da parceria Ser humano e Deus.
REFLEXÃO - Finalmente a reflexão. Refletir é observar, é pensar bem. É ter a 'cabeça no lugar'. Diga, por favor, se algo nos caracteriza tão bem como humanos? A diferença entre o artista e o artesão está justamente aí. O artesão reproduz com imensa habilidade mas é só reprodução. O artista reflete. O dançarino vê diferente, o olhar do pintor é diferente.. Jesus disse: "se os seus olhos forem bons todo o seu corpo será iluminado'. Olhe para dentro. Descubra o 'sopro divino' em você. Deus é o criador. Ele transformou o caos e cosmos - palavra donde vem cosmético. Dito de outra forma, Deus transformou o desorganizado em belo.
O artista das bailarinas é Edgar Degas. Ele pintou a Classe de Ballet em 1874 disse:
Se pintar não fosse tão complicado, não seria tão divertido.
Minha oração Mariana Esteves é que você lembre sempre de quem te 'deu vida'. Lembrando do 'Duda' e da Rosana você vai lembrar de Deus. Você é dádiva divina para eles. Meu desejo é que você cuide muito bem da essência da vida.
Toda árvore é reconhecida por seus frutos.
Ninguém colhe figos de espinheiros,
nem uvas de ervas daninhas.
O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração,
O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração,
e o homem mau tira coisas más do mal
que está em seu coração,
porque a sua boca fala
do que está cheio o coração".
15 de fev. de 2016
Gratidão
Só agradece quem reconhece.
Quem reconhece, conhece novamente (re-conhece).
Gratidão é uma dimensão da memória.
A memória do afeto.
Quem agradece faz bem ao outro e também a si.
Agradecer é criar laço é preservar história.
Infelizmente somos ingratos.
Ingratos escondem a dependência.
Quem reconhece, conhece novamente (re-conhece).
Gratidão é uma dimensão da memória.
A memória do afeto.
Quem agradece faz bem ao outro e também a si.
Agradecer é criar laço é preservar história.
Infelizmente somos ingratos.
Ingratos escondem a dependência.
Já percebeu como é fácil culpar e como é tão difícil desculpar?
Por que tanta dificuldade de agradecer?
E quando temos obrigação de presentar?
Isso é horrível!
Aí escolhemos o presente grande, aquele que aparece
ou ainda pior, 'catamos' um que recebemos e o 'empurramos' para frente.
Decepcionante mesmo é ouvir: 'o que você está precisando?"
Dá vontade de dizer: nada.
Ou se for politicamente correto: pense em mim. Eu tenho 'cara' de quê?
Isso é horrível!
Aí escolhemos o presente grande, aquele que aparece
ou ainda pior, 'catamos' um que recebemos e o 'empurramos' para frente.
Decepcionante mesmo é ouvir: 'o que você está precisando?"
Dá vontade de dizer: nada.
Ou se for politicamente correto: pense em mim. Eu tenho 'cara' de quê?
Onde foi que deixamos a visão da criança?
Aquela de quem pega a folha sem valor e transforma em buquê.
Somos tão insensíveis que perguntamos:
'Por que você está me dando isso menino?"
E a resposta vem com afeto ainda mais desconcertante:
'Porque quero."
Somos tão insensíveis que perguntamos:
'Por que você está me dando isso menino?"
E a resposta vem com afeto ainda mais desconcertante:
'Porque quero."
Ser grato é ver-se agraciado.
Ser grato é ver Deus no outro.
Ser grato é ser interdependente.
E, por falar nisso,
há quanto tempo você não agradece?
há quanto tempo você não agradece?
Não se achou nenhum que voltasse e desse louvor a Deus, a não ser este estrangeiro?
3 de fev. de 2016
Muito Prazer, meu nome é Eli.
Resolvi dar uma passada por aqui com
o propósito de falar um pouco de meus sentimentos, do que fiz como sacerdote e
confessar meus erros. Aliás, acho que minhas confissões poderão de certa forma
ajudar você.
Normalmente sempre que falam de mim
associam minha história a Samuel. Sou conhecido como um sacerdote gordo, que
não sabia controlar os filhos e morto quando caí de uma cadeira.
Para quem não sabe, além de sacerdote
eu era juiz. Fui o primeiro a acumular as duas funções. Sentiu a
responsabilidade! Pois é, foi aí que cometi meu maior erro. Achava que conduzir
o povo, cuidar dos sacrifícios e do templo eram as coisas mais importantes da
minha vida. Só fui descobrir mais tarde que na verdade, o que eu tinha de mais
precioso era minha família. Quantas vezes meus filhos, Hófni e Finéias me
chamavam para brincar, queriam minha atenção e eu dizia que não. Afinal eu
estava sempre muito ocupado. Diversas vezes os via fazendo coisas erradas e não
os corrigia, pois isso dava trabalho, era melhor deixar passar. Eu já tinha
tanto problema do povo para resolver… Deixei que os anos passassem e meus
filhos foram crescendo sem direcionamento; conselhos e o pior, sem Deus. A
falta de correção aos meus filhos acabou não só os destruindo como atrapalhando
a minha vida como lider do povo. Eu era um pai ausente.
Lembro-me bem do dia em que Ana, mãe
de Samuel, chorava desesperada no tabernáculo. Achei que ela estava bêbada, sua
forma de busca a Deus era desesperadora! Mas tudo que ela queria era um filho.
Essa história vocês conhecem bem. Ela clamou a Deus e a resposta divina foi
Samuel. O que eu não sabia era que Ana dedicaria aquela criança a Deus.
Quando o menino completou… Não me
lembro bem, mas acho que 8 anos, Ana foi ao templo e me entregou Samuel,
explicando que ele ficaria comigo. Naquele momento quando vi o menino, foi como
se Deus me dissesse: “Eli, este menino é a sua chance de acertar. Não erre com
ele da mesma forma que você errou com seus filhos”.
Samuel, vocês sabem, cresceu temente
a Deus e sob os meus cuidados. Criei Samuel prestando atenção em cada coisa que
ele fazia e precisava. Um dia Samuel quebrou um castiçal. Tinha certeza que
havia sido ele, mas ele negava insistentemente. Na hora de dormir conversei com
Samuel novamente sobre o castiçal quebrado e expliquei que Deus ficaria muito
triste em saber que seu servo estava mentindo. Beijei Samuel e fui deitar-me.
Ainda mexia-me na cama tentando encontrar uma posição em que minhas costas não doessem e o menino vem correndo, com lágrimas nos olhos me diz: “Perdão senhor!
Eu fiquei com medo que brigasse comigo, por isso menti. Eu quebrei o castiçal”.
Aquele momento foi uma mistura de sentimentos. Fiquei emocionado por ter levado
Samuel a confessar e corrigir seu erro, mas recordei-me de quantas vezes
poderia ter levado meus filhos ao arrependimento e não fiz. Falei para Samuel
que Deus o havia perdoado, recomendei que não fizesse mais aquilo e lhe dei o
abraço mais apertado de sua vida.
Teve um outro momento em que o menino
achou que eu o estava chamando. Foi quando eu percebi que na realidade era o
próprio Deus que queria falar com ele. Naquele momento disse para que se ele
ouvisse alguém o chamando respondesse: “Fala Senhor, teu servo está ouvindo.” Ele
saiu como uma flecha em direção ao lugar que ele costumava dormir. Eu agradeci a Deus pela oportunidade de ter cuidado de Samuel e ajudado
a moldar o seu caráter. Naquela noite Deus revelou coisas terríveis que
aconteceriam comigo e minha família devido a minha omissão como pai. Samuel,
muito triste, mas sabendo que não deveria faltar com a verdade, não escondeu
nada e revelou o que Deus havia dito. Como tudo poderia ter sido diferente se
Hófni e Finéias tivessem tido ao seu lado o mesmo Eli que Samuel conheceu !
E é isso. As vezes deixamos nosso
trabalho e até mesmo o templo ocupar o espaço da coisa mais importante que
temos, a nossa família. Samuel foi a prova viva que eu tinha capacidade para ter
sido um bom pai. Talvez você não tenha outra oportunidade. O trabalho é
importante, o templo também. Mas sua família deve sempre estar em primeiro
lugar. Talvez você possa estar pensando: “Deus é que deve estar em primeiro
lugar!” Aí vai uma dica Importante para você, não confunda templo com Deus.
Texto do Alexandre Oliveira
Texto do Alexandre Oliveira
2 de fev. de 2016
Muito prazer, eu sou Isaque.
Era madrugada, todos ainda dormiam. Meu pai com um beijo
carinhoso despertou-me e disse: “Isaque! Acorda! Vamos sacrificar ao senhor.”
Estiquei as pernas, os braços e como desejei ficar mais algumas horas deitado.
Meu corpo ainda doia das atividades do dia anterior, mas levantei.
Caminhamos diversas horas e uma coisa me incomodava. Meu pai
adorava falar, contar histórias, aconselhar e sempre mostrava-me as maravilhas
que Deus tinha feito em nossa família. O velho sempre contava sobre a promessa divina
de que nós seríamos uma grande nação. Naquele dia ele não dizia uma só palavra.
Às vezes balançava a cabeça como se algo estivesse errado. Fiz várias tentativas
de diálogo, mas meu pai pareceia entorpecido. Na primeira vez, indaguei onde
iríamos sacrificar a Deus. A resposta rápida foi: “Deus mostrará”. Em seguida perguntei
se faltava muito pois minhas alparcas estavam queimando! Outra resposta rápida:
“Deus é quem sabe”. Eu sabia que algo não estava certo. Decidi então abraçar meu
velho e seguimos calados toda a viagem. Depois de muito caminharmos, fitei meus
olhos no rosto de meu pai e percebi uma lágrima escorrendo. Ia perguntar o que
era, mas resolvi apenas apertá-lo mais forte e continuar caminhando. Sentia que
seu coração estava muito incomodado.
Não levamos nenhum cordeiro, achei estranho, mas logo concluí
que compraríamos um perto do local do sacrifício. Quanto mais caminhávamos,
maior era a angústia do meu velho. O que ele estaria pensando? Dei uma parada e
disse: “Pai está tudo bem?” Ele olhou bem dentro dos meus olhos e com um olhar desolado
me disse: “Ficará meu filho. Ficará tudo bem.” Eu nunca tinha visto meu pai
assim…
Caminhamos por mais algum tempo, aquele silêncio angustiava
meu coração. Foi quando chorei. Não sabia porque, mas eu chorei. Meu pai me
abraçou forte, apontou o monte e disse: “É aqui.” Nós choramos. O pai chorava sabendo
o que aconteceria, já eu chorava a angústia de meu pai. Meu coração acelerou.
Pegamos a lenha, o velho ordenou que nossos servos aguardassem ali pois
seríamos só ele e eu no monte do sacrifício.
Bem perto do local designado, fiz a pergunta que esclareceu
tudo para mim. “Eis aqui a lenha, mas onde está o cordeiro para o sacrifício?”
Entre lágrimas, com seu rosto marcado pelo sol e pelos anos, o velho Abraão
responde: “Deus proverá.” Naquele momento entendi que eu
era o sacrifício. Meu coração disparou ainda mais e pensei em correr. Ao mesmo
tempo uma sensação de paz foi tomando meu ser e ouvi uma voz interior dizendo
que eu não deveria temer pois o Deus do meu pai estava comigo e eu fazia parte
da promessa. Arrumamos a lenha sobre o altar e sem que meu pai pedisse,
estiquei meus braços. Não trocamos nenhuma palavra. Já com a corda enrolada
recebi um abraço. O pai chorou, o filho chorou. Ele me acompanhou até o altar e
ali eu deitei. É estranho, mas meu coração continuava em paz.
Meu pai estava prestes a sacrificar o filho que ele amava. Eu
não tinha dúvidas disso, pois sentia seu amor para comigo em cada uma das suas
atitudes. Quanto a mim, estava pronto para ser um instrumento nas mãos de meu
pai para atender um pedido de Deus, ainda que tudo parecesse loucura, um pai
entregar o seu próprio filho em sacrifício. Naquele momento pude perceber, de
verdade, o que Deus representava para o meu pai. Fechei os olhos e pedi a Deus:
“Se possível, não deixa isso acontecer comigo. Mas que acima de tudo, tua
vontade prevaleça.” Mal terminei minha oração e meu pai estava desamarrando-me,
rindo e chorando compulsivamente. Mostrava-me o cordeiro para o sacrifício
preso nos arbustos. Sorriu o pai, sorriu o filho.
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu filho
unigênito para nos salvar.”
Texto do Alexandre Oliveira
Raabe - Ela escolheu acreditar, aceitou ajudar e decidiu confiar
Sou
Raabe e a primeira coisa que falam de mim é que sou prostituta, mas o motivo
que levou-me à prostituição ninguém procura saber.
Sou de família pobre, da classe mais
baixa da sociedade, com pai e mãe idosos, irmãos e outros para sustentar.
Na época, a sociedade patriarcal não
valorizava a mulher que não era contada no censo, nem tinha acesso ao estudo ou
ao mercado de trabalho.
Família que não tinha escravos, era a
mulher responsável por todos os serviços domésticos, inclusive pegar água no poço
e, se necessário, ajudar também na lavoura.
Outro motivo que levava à prostituição
era o abuso sexual que a mulher sofria desde a adolescência, depois era
marginalizada e considerada culpada.
Alguns pensam que é opção da mulher,
mas vou mostrar, com a minha vida, que não é assim.
Sou
uma mulher muito bonita, atraente e cobiçada pelos homens. Imagine o que isso significava para uma
mulher pobre, precisando de dinheiro até para o alimento, sendo muito
assediada.
Apesar
da discriminação minha vida mudou. Eu
hoje faço parte da galeria dos grandes Heróis da Fé com Abraão, Sara, Joquebede
e outros.
Foi assim que tudo aconteceu... Eu já tinha ouvido falar no Deus de Israel,
que amava o seu povo e fazia milagres para favorecê-lo, além de ser justo e sempre
usar de misericórdia para com ele.
Certo dia fui procurada por dois
espias israelitas, que me pediram pousada para escondê-los, porque se os
soldados do rei de Jericó os encontrassem, eles seriam mortos.
Foi
um momento de escolha e decisão muito difícil para mim, pois se eu negasse a
ajuda eles seriam mortos e se eu os abrigasse e fosse descoberta, eu é que
morreria.
Todos
me conheciam como mulher corajosa pela maneira como eu enfrentava os problemas
sem me deixar abater. Eu também era misericordiosa, pois não pensava só em mim,
mas cuidava de minha família.
Interessante
que eu confiava no Deus de Israel e apresentei-lhes uma condição: Se Israel
invadir Jericó, que eu e toda minha família fôssemos poupados.
Eles
concordaram, mas disseram que eu deveria identificar a minha casa, colocando na
janela uma corda escarlate e também não poderia revelar nada sobre a presença
deles em Jericó.
Eu
os escondi tão bem que os soldados do rei não os encontraram no eirado entre as
canas do linho. Depois dei fuga para
eles, fazendo-os descer por uma corda, pela janela, pois minha casa ficava
sobre o muro da cidade.
Tempos
depois Israel invadiu Jericó, vencendo e queimando tudo, mas eu e minha família
fomos salvos, com todos os nossos pertences.
Eu
nunca poderia imaginar que minha vida fosse mudar radicalmente, porque eu
confiei no Deus de Israel, agora também meu Deus, que foi fiel e usou comigo de
misericórdia.
Fui
viver em Israel e casei-me com Salmon.
Tive Boás, um bom filho, que mais tarde, casou-se com Rute, moabita, que
foi bisavó do Rei Davi.
Eu
não disse que a prostituição não era uma opção minha? Deus restaurou-me colocando-me na posição de
privilégio de fazer parte da árvore genealógica de Jesus, o Salvador da
humanidade.
Agradeço
a Deus por ter me dado sabedoria para fazer a opção certa e ter acreditado...ajudado...e
confiado. Ele usou-me para fazer parte
dos seus planos em relação a Israel.
Ainda
bem que Deus não é preconceituoso como os homens e está sempre pronto para
perdoar e dar nova oportunidade a quem n'Ele confiar.
Assim
como salvou Abraão, que era da classe mais alta, também salvou a mim, Raabe, da
classe mais baixa e conhecida como a "Prostituta de Jericó".
Texto de Palmyra
Duarte
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