Enquanto 'rolava' o Culto na Praça eu achei um 'canto' (não era exatamente um canto mas uma daquelas mesas de concreto) e comecei a 'rabiscar' uma história bíblica. Caneta esferográfica e um pedaço de 'tapume' em mdf. Rabiscando, rabiscando e em meio aos rabiscos uma menina pergunta:
-Tio o que o senhor 'tá' fazendo?
-Desenhando.
-Isso eu sei. Posso ver?
-Claro que pode.
Não passa muito tempo e ela continua:
-Você vai pintar?
-Vou sim mas só depois que acabar o desenho.
-Posso ajudar a pintar? Eu sei pintar direitinho.
Ela viu um bocado de giz de cera sobre a mesa e eu respondi:
-Pode sim. Mas, como é o seu nome?
Ela respondeu e a gente conversou um bocado enquanto pintávamos o desenho (observe a expressividade no azul que está na parte de cima, no céu nesta reprodução). Me encantei. Comecei a contar a história do filho pródigo e ela imediatamente me interrompeu e disse que sabia até uma música daquela história. Ela cantou e contou um pouco da história.
Senti vontade de deixar um desenho com ela. Eliane Almeida logo trouxe uma resma de papel ofício e eu desenhei a pequena menina - vou preservar o nome dela. Quando entreguei o desenho ela, de repente sumiu. Quando percebi tinha um monte de crianças e eu fui fazendo caricatura de cada uma delas. Aí quando o culto acabou fui guardar o desenho. Ela me seguiu 'investigando' os cantos da nossa igreja, que fica bem em frente à praça. Por medo, ou respeito, ainda que eu desejasse, não abracei ela e educadamente a convidei para voltar no domingo.
Ela voltou mesmo e me procurou como 'o tio que desenha'.
Aprendi tanto com essa menina! Ela foi usada por Deus para falar comigo e agora invade minhas orações. Isso tudo incomoda e 'cutuca' à ação.
Ainda ecoa nos meus ouvidos:
-Tio 'cê' vai voltar?
90x70cm giz de cera e caneta esferográfica
19 de out. de 2016
5 de set. de 2016
Roda de conversa Odarah 3
Algumas barreiras foram 'impostas' pelo Evangelho de missão, importado da Europa e Estados Unidos.
A linguagem desses 'gringos' era muito 'elitizada' e a exigência da leitura bíblica afastava os 'indoutos e iletrados'. Como vimos, a liturgia não tinha nenhuma conexão com a nossa cultura.
Até aqui parece que não houve nenhuma contribuição dos Tradicionais neste 'universo evangélico'. Ao contrário do que pode parecer, os Tradicionais conquistaram espaço e imenso respeito na perspectiva cultural de nosso país. Foi graças à perspectiva 'do livro' que escolas foram fundadas e edificadas. Tudo para facilitar o acesso à leitura. A educação musical clássica também foi implementada nas igrejas. Aqui vale a pena parar e pensar que a maioria dos músicos de nossas orquestras já percorreu o ambiente de uma dessas igrejas. O fomento dos cursos superiores e seminários também se deve ao estabelecimento dessa perspectiva religiosa baseado 'no livro'.
'Negro é o teu passado!"
A pergunta que naturalmente surge é: Por que então tão poucos Pentecostais participam do 'movimento negro' e das chamadas 'políticas afirmativas'?
Creio que um dos motivos é a leitura descontextualizada das escrituras e o conhecimento rudimentar do contexto bíblico e histórico. Como vimos, a grande maioria dos irmãos pentecostais não tem interesse de 'mergulhar' no texto bíblico e, em sua maioria, reproduzem o que foi ouvido sem reflexão. Eles aprendem que ser Santo é ser separado e pouquíssimas vezes entendem de que nos separamos. Separados de que? Separados de quem? Deveriam perguntar. Uma pessoa quando se 'converte' está separada do mundo. Mas de que mundo, se a Bíblia nos apresenta, pelo menos três perspectivas distintas deste conceito:
Mundo como conjunto de habitantes (Jo 3.16)
Mundo como valores humanos (Jo 15.19)
Mundo como planeta terra (Sl 24.1)
O segundo problema que vejo é pregação da falsa ideia de que 'todos somos iguais e que dentro da igreja não existe nenhum tipo de discriminação'. Só aceita este discurso quem ignora a realidade de nossa sociedade. Este é um ideal bíblico e não a realidade. A sociedade influencia a igreja e a igreja deveria assumir um papel profético para influenciar a sociedade em que está inserida.
Também creio, por isso deixei o movimento negro, que Jesus nunca nos ensinou a ser, nem a estimular a cultura de gueto. Somos, pelo menos deveríamos ser, o corpo de Cristo sem distinção nenhuma.
Quero defender estes valores, estes ideais do Cristo a quem sirvo.
Não ao Racismo!
Não à separação, seja ela qual for.
Não aceito esse papo furado de 'preto com alma branca' em 'tem neguinho que'. Sempre que ouço esse tipo de 'brincadeira', faço questão de afirmar que 'tem neguinho e tem branquinho' também.
Todos pecaram.
TODOS.
Todos os que creem podem ser salvos, libertos e transformados.
TODOS.
'Às vezes o ponto de vista tem certa miopia,
Pois enxerga diferente do que a gente gostaria
Não é preciso por lente nem óculos de grau
Tampouco que exista somente
Um ponto de vista igual
O jeito é manter o respeito e ponto final" Ponto de Vista, Casuarina
Terminei minha participação citando MPB na música do Gilberto Gil.
Andar com fé eu vou,
que a fé não costuma "faiá"
Que a fé tá na mulher
A fé tá na cobra co-ral
Ô-ô
Num pedaço de pão
A fé tá na maré
Na lâmina de um punhal
Ô-ô
Na luz, na escuridão
que a fé não costuma "faiá"
Que a fé tá na mulher
A fé tá na cobra co-ral
Ô-ô
Num pedaço de pão
A fé tá na maré
Na lâmina de um punhal
Ô-ô
Na luz, na escuridão
Todos andamos 'com fé' e o segredo não é ter fé. Creio que o verdadeiro desafio é saber onde colocamos nossaa fé. Escolhi colocar minha fé do Deus que se revela em Jesus Cristo.
Roda de conversa Odarah produção cultural 2
'Meu púlpito é minha prancheta' e o quadro tem sido 'minha muleta'.
Necessito pensar graficamente e a apresentação ilustrada tem me acompanhado nesse trajetória.
1. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa
Por que será que a mídia e os discursos sobre 'os evangélicos' são tão pesados e vergonhosos dentro de nossa sociedade? De forma muito crítica, creio que há uma intenção política por trás dessa 'massificação' evangélica. Incrível que sejamos milhares os que fazem questão de afirmar: isso não me representa. Não é nesse 'evangecalismo' que eu creio. É claro que não. Não fomos, em momento nenhum chamados de 'os evangélicos' pelo nosso mestre. Jesus também nunca nos chamou de 'os cristãos'. Cristão, como você deve saber (At 11.26), é apelido para os que imitavam a Cristo. A expressão 'evangélico' é uma elaboração americana para revelar os que seguiam o 'Evangelho', as Escrituras. Cristo nos chamou de discípulos, seguidores, alunos. Somos imitadores de Cristo. Sendo imitadores fazemos e nos relacionamos da maneira como o mestre fez e ensinou. Pelo menos deveria ser este o padrão.
Necessito pensar graficamente e a apresentação ilustrada tem me acompanhado nesse trajetória.
1. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa
Por que será que a mídia e os discursos sobre 'os evangélicos' são tão pesados e vergonhosos dentro de nossa sociedade? De forma muito crítica, creio que há uma intenção política por trás dessa 'massificação' evangélica. Incrível que sejamos milhares os que fazem questão de afirmar: isso não me representa. Não é nesse 'evangecalismo' que eu creio. É claro que não. Não fomos, em momento nenhum chamados de 'os evangélicos' pelo nosso mestre. Jesus também nunca nos chamou de 'os cristãos'. Cristão, como você deve saber (At 11.26), é apelido para os que imitavam a Cristo. A expressão 'evangélico' é uma elaboração americana para revelar os que seguiam o 'Evangelho', as Escrituras. Cristo nos chamou de discípulos, seguidores, alunos. Somos imitadores de Cristo. Sendo imitadores fazemos e nos relacionamos da maneira como o mestre fez e ensinou. Pelo menos deveria ser este o padrão.
Olhe o esquema comparativo. As igrejas Tradicionais (Congregacionais, Batistas, Metodista e Presbiterianos) estão ligados às missões enviadas da Europa e da América que são, na realidade, 'representantes' da Reforma Protestante.
Tradicionais dão valor à História da Reforma, por isso dão valor a leitura, ao 'Livro' às Escrituras. Valorizam muito mais a mente e a reverência e os seus oficiais devem ter, além do reconhecimento da comunidade o conhecimento bíblico, pelo menos o 'manejo da Palavra da Verdade'. Neste momento era impossível não trazer à fala a forte imagem de meu avô sendo alfabetizado para poder ser ordenado diácono, da década de 70 na Igreja Batista de Vieira Fazenda, dentro da favela do Jacarezinho. Finalmente a liturgia e a música valorizam a reflexão e as músicas acompanhadas de 'instrumento sacro' - órgão.
Num paralelo vertical observamos que os Pentecostais valorizam mais o 'marco revestimento de poder' no episódio narrado no Livro de Atos e profetizado por Joel, no AT. O Poder do Espírito sobre toda carne'. Valem-se mais da experiência do que do 'Registro da revelação'. Usam mais o coração do que mente reflexiva e não há exigência de uma formação ou conhecimento sistematizado e formal. Além de tudo isso qualquer expressão de 'envolvimento com o Espírito' é respeitada e espalhada por toda congregação. A utilização dos instrumentos é livre e a liturgia dá espaço de voz e vez para todos os membros.
'Lá vem o negão"
Olhando o gráfico, creio que fica claro o motivo que 'seduz' os negros, especialmente os menos favorecidos, afastados do acesso à cultura e distantes das expressões clássicas das músicas importadas.
Roda de conversa no Odarah Cultural 1
Vivi uma experiência incomum e inesquecível no último sábado, dia 3 de setembro.
Fui convidado para participar de uma 'Roda de conversa' sobre A RELIGIÃO MAIS PRETA DO BRASIL junto com a mediadora Fabíola Oliveira que é produtora executiva do Odarah Produção Cultural afirmativa e o Babalawo Ivanir Dos Santos (CEAP - Centro de Articulação de Populações Marginalizadas)
Começo perguntando: 'QUAL É O GRUPO RELIGIOSO QUE TEM O MAIOR NÚMERO DE INTEGRANTES QUE SE ASSUMEM NEGROS, NO BRASIL?'
( ) O Candomblé ( ) A Umbanda ( ) Os Evangélicos ( ) Os Católicos
Se você escolheu o grupo dos evangélicos, acertou.
De acordo com o Censo do IBGE de 2010 é massacrante a quantidade de negros nas religiões evangélicas, especialmente no grupo denominado Pentecostal.
IBGE 2010
População 190.755.799
Evangélicos 42.275.440
Umbanda e Candomblé 588.797
Foi fundamentado nesta informação e tantas outras que li o livro, 'A religião mais negra do Brasil - por que os negros fazem opção pelo Pentecostalismo', de Marco Davi de Oliveira, reedidado em 2015, pela Editora Ultimato
Apresentei minha fala em três tópicos:
1. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa
O objetivo foi 'abrir o saco' e mostrar que existe uma pluralidade imensa no 'saco em que enfiaram 'os evangélicos'.
2. "Lá vem o 'negão'..."
Porque os negros fazem opção pelo Pentecostalismo?
3. 'Negro é o teu passado'
Afinal, se somos tantos, que discurso afasta os negros do movimento de igualdade e quais os desafios para o engajamento?
Fui convidado para participar de uma 'Roda de conversa' sobre A RELIGIÃO MAIS PRETA DO BRASIL junto com a mediadora Fabíola Oliveira que é produtora executiva do Odarah Produção Cultural afirmativa e o Babalawo Ivanir Dos Santos (CEAP - Centro de Articulação de Populações Marginalizadas)
Começo perguntando: 'QUAL É O GRUPO RELIGIOSO QUE TEM O MAIOR NÚMERO DE INTEGRANTES QUE SE ASSUMEM NEGROS, NO BRASIL?'
( ) O Candomblé ( ) A Umbanda ( ) Os Evangélicos ( ) Os Católicos
Se você escolheu o grupo dos evangélicos, acertou.
De acordo com o Censo do IBGE de 2010 é massacrante a quantidade de negros nas religiões evangélicas, especialmente no grupo denominado Pentecostal.
IBGE 2010
População 190.755.799
Evangélicos 42.275.440
Umbanda e Candomblé 588.797
Foi fundamentado nesta informação e tantas outras que li o livro, 'A religião mais negra do Brasil - por que os negros fazem opção pelo Pentecostalismo', de Marco Davi de Oliveira, reedidado em 2015, pela Editora Ultimato
Apresentei minha fala em três tópicos:
1. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa
O objetivo foi 'abrir o saco' e mostrar que existe uma pluralidade imensa no 'saco em que enfiaram 'os evangélicos'.
2. "Lá vem o 'negão'..."
Porque os negros fazem opção pelo Pentecostalismo?
3. 'Negro é o teu passado'
Afinal, se somos tantos, que discurso afasta os negros do movimento de igualdade e quais os desafios para o engajamento?
9 de mai. de 2016
Congresso da Família - VIDA NA REDE
A proposta do Congresso
de Famílias deste ano em nossa igreja foi estimularmos à reflexão sobre a
influência da Internet, das novas tecnologias e das mídias sociais no ambiente
familiar.
Nosso objetivo não foi nem é ‘demonizar’ o progresso tecnológico. Até porque estamos num mundo ‘mergulhado
na rede’.
No entanto, a despeito
das incontáveis vantagens oferecidas, a ‘grande rede’ traz também, alguns
problemas. Podemos ver maus usuários que costumam explorar a internet para
perpetrar atos nefastos, criminosos e indesejáveis. Estelionato, pedofilia,
ciberbullying e outros crimes, representam apenas algumas das mais variadas
infrações que englobam este mundo virtual. Outro problema vivido intensamente tem sido a falta de contato direto entre as pessoas. O mundo tem se tornado virtual.
Ninguém vive hoje sem um celular.
Este foi um tempo de excelente oportunidade, bem contextualizada, para destacarmos valores bíblicos, e portanto, valores humanos. Nossa meta foi valorizar a criação divina a ponto de resgatá-la, o que é o propósito da obra de
Cristo (2 Co 5.17).
A ‘brincadeira’ gráfica e
fonética com a REDE teve como objetivo destacar que não devemos ser ‘dominados’,
presos ou controlados pela rede/web mas, mesmo inseridos nela (Jo 17.16), devemos viver
de forma abundante (Jo 10.10). Somos pescadores. ‘Pescadores controlam a rede’.
"Navegue mas não afunde!"
Os Cartazes:
Fizemos dois cartazes. Um para o Congresso e outro para atividade especial de sábado. Nosso preletor, durante a semana foi o pastor João Melo da primeira igreja batista de Vila da Penha aceitou o desafio e nos abençoou com três palestras intrigantes e cativantes.
No sábado à tarde tivemos os pequenos grupos e uma gincana especial. Esta foi uma proposta totalmente nova e, por isso mesmo, a expectativa era grande pela adesão dos membros da igreja.
Foi muito emocionante observar as crianças se divertindo com brinquedos que não eram eletrônicos - esta foi uma das tarefas compartilhadas durante a semana. Eles interagiram muito bem e descobriram novas alternativas para a diversão em grupo. Além disso o setor infantil abraçou a ideia de desenvolverem o mesmo tema estimulando as crianças a pensarem sobre a 'VIDA NA REDE" dentro o universo delas.
Caminhando para o final da tarde nos reunimos para uma grande Gincana, coordenada pelo Marcílio. Ao final do Congresso apresentamos um novo desafio - O PROJETO PENSE LARANJA e, antes da pizza (também as que as crianças produziram) a 'ginastiquinha'.
Fazendo pizza
Hora da gincana
PG adolescentes com Cassia Borges
subgrupo PG dos adultos - Anna Viveca
subgrupo PG dos adultos - Anna Viveca
subgrupo PG dos adultos - Anna Viveca
subgrupo PG dos adultos - Anna Viveca
PG 3a idade - facilitadora Danielle Medeiros
Ginastiquinha antes da pizza
Grupo de trabalho para o Congresso da Família:
Hudson e Marilia, Marcos e Jaqueline, Alexandre e Eliane, Eli e Beth, Rolant e Christine, Danielle e Helder, Marcio e Bruna, Damião e Dayse, Harley e Raquel, Mario Marcio e Fabiana, Pr. Daniel e Adriana e Pr. Marcelo e Anna22 de abr. de 2016
Nó direito e o Mario Marcio Verissimo
Ainda estou sob o impacto do falecimento do Mario Márcio Veríssimo. Ouvi, vi e experienciei vários comentários sobre ele e, confesso, não esperava nada diferente. Ele deixou marcas. Marca de alegria, paixão pulsante, paternidade envolvente e vida, muita vida.
É impressionante perceber como a morte é uma agressão à vida e como a vida insiste em gritar presente mesmo em momentos como estes. Não nascemos para a morte mas somos escravos dela pela condição de pecadores. Mario também deixou marcas em mim. Não dessas experiências que quase entronizam as pessoas com os anjos.
Marca de verdade é feita com história de dor. Hoje esta marca é uma cicatriz. Não é ferida aberta mas a marca está aqui para denunciar a presença dele e a restauração divina. Nos desentendemos feio. Creio que foi a maior tensão que vivi no espaço eclesiástico. Não foram poucos dias sem conseguir cantar. Gritamos um com o outro, nos ofendemos e, pela instrumentalidade do pastor Novaes, nos encontramos para 'colocar as cartas sobre a mesa'. O encontro foi feio. Saiu faísca pra todo lado. Saí daquele encontro com 'um bico'... Aí, depois de mais uma noite sem sono, comecei a perceber que estávamos discutindo, brigando, quase nos atracando fisicamente e estávamos com o mesmo objetivo. E, mais do que isso, percebi que a gente só briga porque se importa. O que nos incomoda é, de alguma forma, algo nos afeta. O que ignoramos não nos afeta. Tomar consciência disso me fez perceber que o admirava. Antes desse 'entrevero' conseguíamos conversar sobre o desenvolvimento dos meninos, sobre o mistério de ser pai, sobre a administração da saúde diante de doença crônica e até, do por incrível que pareça, sobre futebol. E isto não era nada simples. Eu torcedor do Flamengo e ele, como todo mundo sabe, apaixonado vascaíno. Lembrei disso tudo e percebi que, no fundo, queríamos investir no fortalecimento das famílias, cada um do seu jeito, cada qual sob seu ponto de vista mas os dois com o mesmo intento.
Naquela noite eu consegui orar. Orar por mim, agradecer pelo Mario e ter coragem de perdoar, abrir mão (isso é complicado...) e pedir perdão. Comecei a perceber que tínhamos muito mais semelhanças do que diferenças. Fiquei mais leve quando falei com ele. Ele, sempre muito verdadeiro, não aceitou as desculpas nem quis falar comigo. Aí vi, de forma muito explicita, que 'passei da conta'. Em nome do zelo, da doutrina, da tradição passei por cima. Passei por cima de um irmão e Deus nunca, nunca me estimulou a fazer isso. Não insisti. Fiquei quietinho e deixei o tempo passar.
Eu não tinha mais problema para orar, nem para cantar mas, de alguma forma, o Mario sempre estava ali em minhas orações. Num domingo, nem sei qual, ele falou comigo de forma bem fria: 'e aí, beleza?" Respondi que não, e emendei logo que não tinha raiva dele. O tempo passou, deixei a coordenadoria da família por dois anos e, quando fui convidado à voltar, falei com ele antes. Perguntei o que ele achava da indicação, ainda disse que necessitava dele e que também desejava ter sua presença, sua paixão e sua alegria contagiante como parceiro neste ministério. Ele, prontamente se dispôs a ajudar.
Hoje, chorando no culto fúnebre e cantando 'você pode ter a casa repleta de amigos, paredes e pisos cobertos de bens...,mas nunca terá a paz que existe lá dentro que não se encontra pra poder comprar, porque esta paz só tem a pessoa que se encontra com Cristo", louvei a Deus pela vida do Mario Márcio, pelo pastor Novaes e, especialmente porque Deus me ensinou muito, muito mesmo através da vida do Mario. Pessoas valem mais. Pessoas são maiores e mais importantes que instituições. Nenhum zelo justifica a falta de amor. Louvei a Deus porque não ficou ferida aberta entre nós. Louvo a Deus porque tive oportunidade de atar um laço e desfazer um nó. A cicatriz está aqui mas ela serve para eu lembrar dele e lembrar que o Senhor me ensinou a perdoar porque eu também recebi perdão.
É impressionante perceber como a morte é uma agressão à vida e como a vida insiste em gritar presente mesmo em momentos como estes. Não nascemos para a morte mas somos escravos dela pela condição de pecadores. Mario também deixou marcas em mim. Não dessas experiências que quase entronizam as pessoas com os anjos.
Marca de verdade é feita com história de dor. Hoje esta marca é uma cicatriz. Não é ferida aberta mas a marca está aqui para denunciar a presença dele e a restauração divina. Nos desentendemos feio. Creio que foi a maior tensão que vivi no espaço eclesiástico. Não foram poucos dias sem conseguir cantar. Gritamos um com o outro, nos ofendemos e, pela instrumentalidade do pastor Novaes, nos encontramos para 'colocar as cartas sobre a mesa'. O encontro foi feio. Saiu faísca pra todo lado. Saí daquele encontro com 'um bico'... Aí, depois de mais uma noite sem sono, comecei a perceber que estávamos discutindo, brigando, quase nos atracando fisicamente e estávamos com o mesmo objetivo. E, mais do que isso, percebi que a gente só briga porque se importa. O que nos incomoda é, de alguma forma, algo nos afeta. O que ignoramos não nos afeta. Tomar consciência disso me fez perceber que o admirava. Antes desse 'entrevero' conseguíamos conversar sobre o desenvolvimento dos meninos, sobre o mistério de ser pai, sobre a administração da saúde diante de doença crônica e até, do por incrível que pareça, sobre futebol. E isto não era nada simples. Eu torcedor do Flamengo e ele, como todo mundo sabe, apaixonado vascaíno. Lembrei disso tudo e percebi que, no fundo, queríamos investir no fortalecimento das famílias, cada um do seu jeito, cada qual sob seu ponto de vista mas os dois com o mesmo intento.
Naquela noite eu consegui orar. Orar por mim, agradecer pelo Mario e ter coragem de perdoar, abrir mão (isso é complicado...) e pedir perdão. Comecei a perceber que tínhamos muito mais semelhanças do que diferenças. Fiquei mais leve quando falei com ele. Ele, sempre muito verdadeiro, não aceitou as desculpas nem quis falar comigo. Aí vi, de forma muito explicita, que 'passei da conta'. Em nome do zelo, da doutrina, da tradição passei por cima. Passei por cima de um irmão e Deus nunca, nunca me estimulou a fazer isso. Não insisti. Fiquei quietinho e deixei o tempo passar.
Eu não tinha mais problema para orar, nem para cantar mas, de alguma forma, o Mario sempre estava ali em minhas orações. Num domingo, nem sei qual, ele falou comigo de forma bem fria: 'e aí, beleza?" Respondi que não, e emendei logo que não tinha raiva dele. O tempo passou, deixei a coordenadoria da família por dois anos e, quando fui convidado à voltar, falei com ele antes. Perguntei o que ele achava da indicação, ainda disse que necessitava dele e que também desejava ter sua presença, sua paixão e sua alegria contagiante como parceiro neste ministério. Ele, prontamente se dispôs a ajudar.
Hoje, chorando no culto fúnebre e cantando 'você pode ter a casa repleta de amigos, paredes e pisos cobertos de bens...,mas nunca terá a paz que existe lá dentro que não se encontra pra poder comprar, porque esta paz só tem a pessoa que se encontra com Cristo", louvei a Deus pela vida do Mario Márcio, pelo pastor Novaes e, especialmente porque Deus me ensinou muito, muito mesmo através da vida do Mario. Pessoas valem mais. Pessoas são maiores e mais importantes que instituições. Nenhum zelo justifica a falta de amor. Louvei a Deus porque não ficou ferida aberta entre nós. Louvo a Deus porque tive oportunidade de atar um laço e desfazer um nó. A cicatriz está aqui mas ela serve para eu lembrar dele e lembrar que o Senhor me ensinou a perdoar porque eu também recebi perdão.
15 de abr. de 2016
Roseli e a sabedoria do 'Selah'
O maior livro bíblico é uma coleção de poesias.
Todos nós sabemos que poesia é coisa de gente. Atividade natural de gente sensível à realidade histórica, às circunstâncias, aos sentimentos, à vida. Por isso mesmo a Bíblia contém salmos de angústia, salmos de lamento, salmos políticos, salmos de peregrinação, salmos de louvor, salmos de gratidão, salmos de alegria.Vale a pena lembrar que somos humanos e a bíblia deixa muito claro, em sua essência, que essa humanidade não deveríamos perder. Sentimentos não deveriam ser ignorados nem rejeitados mas administrados com sabedoria.
Observe alguns s versículos do Salmo 66, um salmo de alegria:
Todos juntos aclamem o Senhor — aplausos para Deus! Cantem canções sobre a grandeza da sua glória, glorifiquem o seu nome em ritmo de louvor. Digam de Deus: “Nunca vimos nada parecido com ele!”.
Observem as maravilhas de Deus — elas são de tirar o fôlego. Ele converteu o mar em terra seca, e os viajantes atravessaram o rio a pé. Ora! Não seria esse um bom motivo para cantar?
Não nos pôs ele no caminho para a vida? Não nos impediu de escorregar? Ele nos treinou primeiro, passou-nos como prata pelo fogo refinador: Todos os fiéis, venham aqui e ouçam: permitam-me dizer o que Deus fez por mim. Dos meus lábios saiu um grito; da minha boca, uma canção.
Mas ele me ouviu, ele veio me ajudar assim que ouviu a minha oração. Bendito seja Deus, que não se fez de surdo, mas ficou do meu lado, porque me ama e é leal!
Sob um perspectiva poética, cada vida é, um salmo, uma música, um filme, uma poesia.
A vida da minha amiga Roseli Lassarot é uma bela poesia. Poesias de vitórias, de conquistas, de relacionamento, de valorização do ser humano, de amor.
Para ilustrar isso de forma didática transformei Roseli, com alguns riscos, num personagem para nos ensinar o que poderia ser a palavra SELAH.
Escolhi dar foco à expressão hebraica porque ela aparece várias vezes neste salmo e também percebi que ela ocorre em outros registros desse livro poético. Selah é uma `palavrinha' está lá no original e creio que pode nos ajudar e estimular à reflexão.
Selah causou muita curiosidade e fomentou inúmeras pesquisas. Existe unanimidade que este registro é um termo musical, isto facilmente foi aceito porque estas poesias eram, em sua maioria, letras de músicas. Então Selah é um sinal, um indicativo, um registro para uma expressão cultual. Mas nem tudo que se relaciona ao sinal é consenso. Os teólogos não chegaram a uma conclusão do que significaria `selah` para a música. São três vertentes muito fortes para este sinal:
SELAH pode ser uma PAUSA, ou interrupção para mudança
SELAH pode ser derivado de 'salal', que é LEVANTAR
SELAH pode também ser AMÈM (assim seja) concordando com o que acabou de ser cantado.
Foi a partir dessas informações que parei para pensar:
A vida, que já chamei de poesia, também nos oferece alguns desses 'sinais' que marcam o tempo. Os poetas bíblicos ensinam que 'há tempo para todas as coisas...' (Ec 3) e também que 'devemos aprender a registrar cada dia' (Sl 90.12) ou 'que cada dia tem sua própria história' (Sl 96.2).
Sendo assim, existem períodos na poesia de nossa vida, em que deveríamos valorizar a pausa, a finalização de uma etapa. Em outros momentos o mais apropriado seria levantar, começar uma nova fase, deixar a chamada zona de conforto. E ainda, em alguns momentos, o ideal é pularmos de alegria, cantar alto e dizer amém, amém, amém. Momentos como o que vivemos num aniversário, táo especial, como o da minha amiga.
Minha oração é que a Roseli continue com percepção aguçada para saber a melhor atitude, o melhor `selah`que deve ser vivido para enfrentar as diversas circunstâncias da vida.
Todos nós sabemos que poesia é coisa de gente. Atividade natural de gente sensível à realidade histórica, às circunstâncias, aos sentimentos, à vida. Por isso mesmo a Bíblia contém salmos de angústia, salmos de lamento, salmos políticos, salmos de peregrinação, salmos de louvor, salmos de gratidão, salmos de alegria.Vale a pena lembrar que somos humanos e a bíblia deixa muito claro, em sua essência, que essa humanidade não deveríamos perder. Sentimentos não deveriam ser ignorados nem rejeitados mas administrados com sabedoria.
Observe alguns s versículos do Salmo 66, um salmo de alegria:
Todos juntos aclamem o Senhor — aplausos para Deus! Cantem canções sobre a grandeza da sua glória, glorifiquem o seu nome em ritmo de louvor. Digam de Deus: “Nunca vimos nada parecido com ele!”.
Observem as maravilhas de Deus — elas são de tirar o fôlego. Ele converteu o mar em terra seca, e os viajantes atravessaram o rio a pé. Ora! Não seria esse um bom motivo para cantar?
Não nos pôs ele no caminho para a vida? Não nos impediu de escorregar? Ele nos treinou primeiro, passou-nos como prata pelo fogo refinador: Todos os fiéis, venham aqui e ouçam: permitam-me dizer o que Deus fez por mim. Dos meus lábios saiu um grito; da minha boca, uma canção.
Mas ele me ouviu, ele veio me ajudar assim que ouviu a minha oração. Bendito seja Deus, que não se fez de surdo, mas ficou do meu lado, porque me ama e é leal!
Sob um perspectiva poética, cada vida é, um salmo, uma música, um filme, uma poesia.
A vida da minha amiga Roseli Lassarot é uma bela poesia. Poesias de vitórias, de conquistas, de relacionamento, de valorização do ser humano, de amor.
Para ilustrar isso de forma didática transformei Roseli, com alguns riscos, num personagem para nos ensinar o que poderia ser a palavra SELAH.
Escolhi dar foco à expressão hebraica porque ela aparece várias vezes neste salmo e também percebi que ela ocorre em outros registros desse livro poético. Selah é uma `palavrinha' está lá no original e creio que pode nos ajudar e estimular à reflexão.
Selah causou muita curiosidade e fomentou inúmeras pesquisas. Existe unanimidade que este registro é um termo musical, isto facilmente foi aceito porque estas poesias eram, em sua maioria, letras de músicas. Então Selah é um sinal, um indicativo, um registro para uma expressão cultual. Mas nem tudo que se relaciona ao sinal é consenso. Os teólogos não chegaram a uma conclusão do que significaria `selah` para a música. São três vertentes muito fortes para este sinal:
SELAH pode ser uma PAUSA, ou interrupção para mudança
SELAH pode ser derivado de 'salal', que é LEVANTAR
SELAH pode também ser AMÈM (assim seja) concordando com o que acabou de ser cantado.
Foi a partir dessas informações que parei para pensar:
A vida, que já chamei de poesia, também nos oferece alguns desses 'sinais' que marcam o tempo. Os poetas bíblicos ensinam que 'há tempo para todas as coisas...' (Ec 3) e também que 'devemos aprender a registrar cada dia' (Sl 90.12) ou 'que cada dia tem sua própria história' (Sl 96.2).
Sendo assim, existem períodos na poesia de nossa vida, em que deveríamos valorizar a pausa, a finalização de uma etapa. Em outros momentos o mais apropriado seria levantar, começar uma nova fase, deixar a chamada zona de conforto. E ainda, em alguns momentos, o ideal é pularmos de alegria, cantar alto e dizer amém, amém, amém. Momentos como o que vivemos num aniversário, táo especial, como o da minha amiga.
Minha oração é que a Roseli continue com percepção aguçada para saber a melhor atitude, o melhor `selah`que deve ser vivido para enfrentar as diversas circunstâncias da vida.
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