2 de mar de 2016

Vocação e Chamada 2

Mesmo com a 'ameaça' de perder a namorada, fui para o STBSB em 1984. Fiquei por seis meses morando no espaço chamado de "Navio Negreiro'. Saía do trabalho e me deslocava para as aulas noturnas, no curso que apelidavam de 'cipó' (porque o aluno anda sempre pendurado). Graças a Deus conheci professores que foram muito além de depositantes de conhecimento em sala de aula. Foram educadores na acepção máxima da palavra. Gente como o professor Silvino Neto, professor que me ajudou muito. Foi o professor Silvino que me estimulou a entender que Deus vocaciona a todos.Ele questionou:por que não servir a Deus com o dom que ele te deu? Fui com a pergunta para o 'Negreiro' e resolvi 'fazer as 'malas'. Decidi prestar vestibular para Artes Plásticas no Instituto Bennett. Fiz a prova, passei em primeiro lugar por conta da prova de habilidade específica e deixei definitivamente o STBSB. A cada dia de aula na faculdade de artes me sentia mais próximo da vontade divina. Me encontrei como cidadão, como ser humano, como arte-educador e, por incrível que pareça, como cristão. No final do curso, depois de cinco anos de namoro com a Marília, resolvemos nos casar.
A cada dia uma dádiva! São mais de vinte e sete anos e minha casa é um abrigo para minha alma. Nosso filho, tão querido, é exatamente que o seu nome significa: um presente de Deus. Entreguei ao Senhor a minha vida e depois, como é natural, perguntei: e agora, o que faço? Fui fazendo o que sabia. Nunca tive dúvidas de minha vocação e chamada. Fui desenhando e servindo. Servindo a Deus com o desenho. Desenho para JUERP, desenho para UFMBB, desenho para JMM, desenho para JMN e desenho para JUMOC e JURATEL. Aprendendo muito com toda literatura, com os redatores, com o retorno dos leitores. No entanto, cresci também profissionalmente fora da denominação. Fui premiado por dois de meus trabalhos feitos para uma editora secular. Todavia, por uma  perspectiva errada de Reino, decidi largar tudo. Assim, pedi demissão desta editora e, com essa decisão, perdi cerca de 30% de nossa renda familiar, Marília estava comigo nisso. Fomos para Campinas, trabalhar na JUMOC. Lá aprendemos muito. Muito mesmo.
Quando completei quarenta anos de vida, aqui nesta igreja, num final de culto matutino, pastor Novaes conversou rapidamente comigo, aqui na frente, e me instigou a voltar para o STBSB. Que responsabilidade!! Disse que não queria pensar nesse negócio de ser pastor. Ele me respondeu que tinha dito que era para eu voltar ao seminário e não para ser pastor. Voltei. Tive o prazer de ser um dos mais velhos da turma (kkk). Que período abençoador, desafiador e de grande aprendizado! Cutuquei muito meus colegas de turma, critiquei muito a instituição (criei um jornaleco chamado de "A Mula de Balaão' para denunciar as 'bobagens' que os futuro pastores faziam na 'Colina'). Dez anos se passaram. E eu estou aqui, enfrentando um concílio para o ministério pastoral.

Continua em Vocação e chamada 3

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