2 de mar de 2016

Vocação e Chamada 1

Cresci na igreja. Fui forjado numa igreja batista e, especialmente na organização Embaixadores do Rei. Lá passei por todos os postos. Desde Candidato até o último dos postos superiores - Embaixador Plenipotenciário. Num dos famosos acampamentos de verão no Sítio do Sossego, que sempre acontecia em janeiro, havia o que era chamado de 'a tarde da decisão'. O Pastor Francisco Antonio de Souza, missionário da JMM nos Açores, era o pregador convidado daquele acampamento. Aquele ano, naquela tarde, parecia que Deus estava falando diretamente comigo. Me decidi. Quando fui à frente encontrei dois amigos de Embaixada. O pastor Levi Melo e o Edmilson Guerra. Amigos de igreja, de embaixada e futebol. Futebol na igreja e fora dela, fazendo testes e sonhando ser jogador profissional. Tínhamos entre 14 e 15 anos e o relatório daquele acampamento na igreja era de três vocacionados. A igreja nos acolheu carinhosa e orgulhosamente. Eu achava que Deus estava me chamando para ser pastor. Era natural imaginar isso porque ser vocacionado por Deus naquela 'cosmovisão', era quase sinônimo de ministério pastoral. Cresci sendo observado, desafiado e mergulhado nessa vocação. Meu pai, nosso conselheiro, criou o mês dos ER. Fazíamos tudo na igreja. Desde o trabalho de zelador até, num domingo a pregação. Por isso, nosso pastor, pastor Waldir Guerra, nos orientou e ensinou como pregar para atuarmos nos cultos que eram realizados nos lares. No final do curso individualizado, o pastor apresentou um material que a JUERP produzia com folhetos com esboços de pequenos sermões.
Quando terminei o ensino médio passei no vestibular para artes na UFRJ mas não pude estudar 'no Fundão' porque o curso era de tempo integral e para enfrentar as aulas teria que pedir demissão do trabalho. Lógico que imaginei que Deus estava me 'conduzindo' para o Seminário. Mesmo assim, sem certeza, fiz uma prova para o CPOR (Corpo Provisório de Oficiais da Reserva) e não passei. Os reprovados do CPOR já estavam com a liberação do serviço militar bem encaminhada. Mas, para minha surpresa, algum oficial leu minha ficha do alistamento e percebeu que eu já era um profissional na área artística - comecei a trabalhar na JUERP com 14 anos como aprendiz do SENAI de artes gráficas. Na época eu já era  ilustrador de quatro revistas. Duas para EBD (Vivendo e Crescendo) e outras duas da União de Treinamento (União de Juniores e União de Adolescentes). Assim, fui 'agarrado' no serviço militar para desenhar 'mapas de guerra' como soldado do exército. Fiquei no emprego como freelancer e na caserna por dez meses.
Neste período conheci minha namorada, que hoje é minha esposa. A conheci por conta de um trabalho de arte - o painel para coroação de rainha das MR (Mensageiras do Rei) na igreja de minha colega de trabalho de JUERP, Marilda Pessanha. Ela era membro da IB de Vicente de Carvalho. Marilia, filha do pastor Genésio, meu superior na JUERP, tinha vida totalmente dedicada à igreja. Sempre muito estudiosa, crente fiel, compartilhava comigo os desafios e os trabalhos do Reino. Acompanhei seu desempenho como Rainha da Associação Ouro e seu brilhante desempenho como Rainha dos Adolescentes do RJ. Ela, então minha namorada, viveu intensamente minhas crises para ir ao STBSB. Devo ou não ir para o seminário? Aceito ajuda da igreja ou faço o seminário por minha conta? Dizia isso pensando que se fosse para uma faculdade a igreja não iria pagar nada. Conversávamos muito, ela sempre me apoiou, mas sempre deixou  que não queria ser 'esposa de pastor'.

Continua em Vocação e chamada 2

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