29 de fev de 2016

Minha conversão

Fui apresentado ainda bebê na igreja Batista de Benfica. Quando fui levado à frente, ganhei um novo testamento que ainda guardo comigo. Vivia, como qualquer criança correndo no quintal e nos corredores da igreja. Meus amigos estavam ali, o terreno da igreja era o quintal da minha casa. No espaço do templo recebia carinho, ensino e atenção. Ir à igreja era uma satisfação. Lembro bem das farras no caminho, junto com meus irmãos. O percurso era muito longo para uma criança e nós eramos cinco. Meu pai com o Wagner no colo, minha mãe com a Bianca e eu , Evert e Thetis correndo no caminho. Coincidência ou não encontrávamos outros irmãos no caminho do templo e aí o prazer era ainda maior. Sou o segundo de um grupo de cinco irmãos. E foi na igreja que surgiu mais uma irmã. A amiguinha de minha irmã Thetis 'perdeu' o pai e foi 'abraçada' pelos meus pais e minha família. A Rose Liane passou a ser mais uma 'moleca' em casa. Primeiro nos fins de semana e depois, na adolescência, todos os dias.
Cresci sendo desafiado com as poesias para decorar, os versículos, a música e os 'deveres' de casa da classe da Tia Darlene Sheidegger "Cristo tem amor por mim com certeza creio assim..." ou 'por mim morreu Jesus..." Lembro que fui chamado atenção porque sempre que o pastor fazia o apelo e dava um jeito e ia à frente. Assim, antes de completar nove anos eu já havia pedido para ser batizado mas, naquele tempo, a recomendação era que nenhuma criança deveria ser batizada antes dos dez anos. Ouvi e me lembro bem disso numa das concorridas assembleias regulares da igreja. Minha professora de EBD me defendeu. Lembro bem dela ter ficado em pé e dado testemunho de minha 'vidinha de crente'. Quando fui 'sabatinado' diante da igreja em minha profissão de fé, naquela época deveríamos responder a qualquer pergunta do plenário, lembro que fui abraçado pelo pastor e, diante de todos, recebi um beijo da Tia Suzana Campelo. Fui batizado no primeiro batismo do ano que completei dez anos. E, em 31 de março de 1974 na igreja batista de Benfica, fui batizado pelo pastor Sérgio Paulo Azeredo Boechart
Com menos de um ano de batizado minha carta de transferência chegou à igreja Batista de Costa Barros. Senti um orgulho muito grande de ter meu nome lido na assembléia. "Recebemos a família do irmão Rubens', dizia o pastor Waldir Guerra e ao receber leu o nome do meu pai, da minha mãe e o meu, como membros transferidos daquela 'igreja irmã' ele  dizia, para a nossa.
Foi na igreja batista de Costa Barros que comecei minha caminhada como ER. E, depois de batizado é que experimentei a exata noção de conversão. Conversão é mudança de rumo. Mudança que é resultado de arrependimento e fé. Morávamos em Costa Barros e eu estudava na Pavuna. Não poucas vezes voltava a pé para casa a fim de economizar dinheiro da passagem. Comecei a 'me sentir' independente. Desenvolvi amizades bem diferentes das que eu tinha na igreja. Comecei a jogar bola depois da aula, a ficar muito sujo para voltar para casa e conseguir a casa de um amigo para 'maquiar' minha sujeira. Aprontava uma molecagem aqui, outra um pouco maior ali e assim desenvolvi uma vida 'bem moleque' longe de casa e uma vidinha comportada no espaço doméstico. Comecei a jogar futebol de forma apaixonada e para isso era preciso 'enfrentar' adversários sem medo. Comecei a me envolver em brigas e para não ficar fragilizado, 'colei' com os mais temidos da escola. Minha fama no colégio não era muito boa e num domingo, na praça de Costa Barros, enquanto o culto era feito na praça, os meninos e meninas iam distribuir folhetos. Eu, como estava no 'papel de crente' fui junto com todos os meninos, como costumava fazer. Na segunda feira meu 'amigo de farras' falou diante da classe da escola que eu era crente. Fiquei muito sem graça, não neguei e depois, no intervalo, fui 'tirar satisfação' com o 'segundo maior bagunceiro' da classe. Quem te disse que eu sou crente Renato? Eu vi. Ele disse e explicou: Passei de carro com meu pai, que era corretor de imóveis, e te vi com uma bíblia distribuindo folhetos. Fiquei arrasado e confirmei a história. Vivi profunda culpa, arrependimento. O sentimento foi semelhante ao do apóstolo Pedro ao esquivar-se enquanto o Senhor estava sendo julgado e surrado (Mt 26.33 e depois Mt 26.58). A lembrança do compromisso dos ER ecoava em minha mente com força avassaladora 'terei uma vida pura, corrigirei os meus erros, seguirei a Cristo o Rei. Se assim não for para que nasci?" Minha maior surpresa foi saber que o Renato também temia a Deus e frequentava a Igreja adventista do sétimo dia. Mudei de vida, de atitude e todos da classe começaram a comentar que eu tinha 'virado' crente mesmo.

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