2 de mar de 2016

Vocação e chamada 3

Voltei  ao STBSB porque fui, 'cutucado'. Quando deixei o seminário em 1984, sei que foi uma tristeza para minha família. Meus pais, meus irmãos nunca reclamaram diretamente porque sabiam que eu 'gostava de arte'. Cada vez que me perguntavam o porquê,  eu respondia: fiquem tranquilos eu 'sou crente' e só quero servir ao Senhor do meu jeito. A cada igreja, em cada comunidade a que pertenci, me envolvia, logo 'virava' professor de EBD e então, obrigatoriamente estudava a Bíblia. Assumi cargos de liderança e, profissionalmente desenvolvia minha vocação. Tão novo, com cerca de 30 anos substituí meu amigo e querido pastor João Falcão Sobrinho, em um período em que ele esteve enfermo, enquanto atuava como primeiro vice- presidente na PIB de Irajá. Agora, mais velho, carrego a imensa responsabilidade de ocupar a vice presidência desta igreja, tendo o pastor Carlos Novaes na liderança. Inúmeras vezes ouvi as pessoas me chamarem de pastor. Sempre recebi como manifestação de carinho. Porém, todas as vezes em que ouvia ou me imaginava pastor, me lembrava da fala da Marilia: 'não quero ser esposa de pastor'. Cada vez que ficava incomodado com isso fazia uma transferência total do problema para Deus. Dizia eu: 'Senhor, sei que ela é a minha esposa. Sei que ela é presente Teu para minha vida. Sei também que, depois do Senhor, ela é a prioridade em minha história. Então, 'resolve este problema', eu orava. 'Quando o Senhor quiser estou aqui, mas fala com ela Senhor!' Orava assim, de forma infantil, para eu não ficar envaidecido com a sedução pastoral. O tempo passou e deixei de orar sobre isso. Parei de orar entendendo que o que deveria fazer era servir. Fui chamado para servir ao Rei Jesus como pudesse e onde estivesse. E quero dizer que ainda creio firme e confiadamente nisso.
Mas, em setembro no ano passado, substituindo o pastor Novaes num convite recebido para ser o preletor no Retiro de Casais na PIB de Vila da Penha, ocorreu o inesperado. Todo material de divulgação e as imagens da projeção estavam com a apresentação do 'pastor' Hudson. Logo que vi, tive o cuidado de, antes da primeira noite, falar com o pastor da Igreja,  pastor João, que eu não era ordenado pastor e que ele deveria, por favor, fazer esta justificativa para os retirantes. Falei isso, porque, pouco tempo antes, fazendo um série de sermões na igreja de meu amigo, Pr. Isaías , no DF, fui por muitas e muitas vezes chamado de pastor, e a cada vez me sentia constrangido com a situação. Ouvindo isso, o pastor João Melo disse, de forma muito amigável e simpática, que não iria mudar nada. Ali eu seria o 'pastor' daqueles casais. E ainda disse, perto da Marilia, que eu deveria assumir meu ministério e entender que meu rebanho eram as pessoas que nós cuidávamos na igreja. Então, respondi, com o 'jeito Hudson de ser', que a igreja da Vila da Penha era dele e ele é quem mandava: se era para ser 'pastor', e eu obedeceria. Eu, Marília , pastor João e sua esposa Priscila rimos juntos e conversamos um pouco naquela varanda antes da primeira noite de retiro. Pela misericórdia do Senhor, tudo correu muito bem. Só que, na volta para casa, depois de tantas vezes ouviindo as pessoas me chamando de pastor  naquele retiro, Marilia me disse: 'Amor, vamos resolver isso logo! Pare de palhaçada e peça logo para ser ordenado pastor!' Como assim? - perguntei. Ela disse que eu já era 'pastor', que a maioria das pessoas já me viam assim e que não daria para ficar adiando mais este referendo eclesiástico. Ela disse que, do que jeito que estava, parecia que estávamos sustentando uma mentira e enganando os irmãos. Perguntei brincando, se ela não tinha tomado o seu 'remedinho'e fiquei quieto. Não contei a ela sobre as minhas orações do passado. Confesso que achei que ela iria esquecer logo daquela  conversa . Mas, qual não foi a minha surpresa quando ela voltou ao assunto naquela mesma semana, cobrando a minha ligação para o pastor Novaes pedindo a ordenação. Conversamos muito. Contei toda esta história para ela e perguntei se não a estava traindo. Ela disse que não e que ficaria em paz se eu fizesse isso. Só então liguei para o pastor, que naquele mesmo dia marcou a apresentação da proposta para a assembléia da igreja. E assim, aqui estou. Continuo crendo que todos somos vocacionados e que desejo servir a Deus. Creio que só se serve a Deus servindo às pessoas. Não quero pensar em sustentar uma mentira, iludir o povo de Deus e, muito menos alimentar 'a aparência do mal' na cabeça dos irmãos.

Fim. Para entender toda a história sugiro ler Vocação e Chamada (neste blog) 1 e 2

Nenhum comentário:

Postar um comentário