9 de mai. de 2016

Congresso da Família - VIDA NA REDE

A proposta do Congresso de Famílias deste ano em nossa igreja foi estimularmos à reflexão sobre a influência da Internet, das novas tecnologias e das mídias sociais no ambiente familiar.
Nosso objetivo não foi nem é ‘demonizar’ o progresso tecnológico. Até porque estamos num mundo ‘mergulhado na rede’.
No entanto, a despeito das incontáveis vantagens oferecidas, a ‘grande rede’ traz também, alguns problemas. Podemos ver maus usuários que costumam explorar a internet para perpetrar atos nefastos, criminosos e indesejáveis. Estelionato, pedofilia, ciberbullying e outros crimes, representam apenas algumas das mais variadas infrações que englobam este mundo virtual. Outro problema vivido intensamente tem sido a falta de contato direto entre as pessoas. O mundo tem se tornado virtual. Ninguém vive hoje sem um celular.
Este foi um tempo de excelente oportunidade, bem contextualizada, para destacarmos valores bíblicos, e portanto, valores humanos. Nossa meta foi valorizar a criação divina a ponto de resgatá-la, o que é o propósito da obra de Cristo (2 Co 5.17).
A ‘brincadeira’ gráfica e fonética com a REDE teve como objetivo destacar que não devemos ser ‘dominados’, presos ou controlados pela rede/web mas, mesmo inseridos nela (Jo 17.16), devemos viver de forma abundante (Jo 10.10). Somos pescadores. ‘Pescadores controlam a rede’.
"Navegue mas não afunde!"

Os Cartazes:

 

Fizemos dois cartazes. Um para o Congresso e outro para atividade especial de sábado. Nosso preletor, durante a semana foi o pastor João Melo da primeira igreja batista de Vila da Penha aceitou o desafio e nos abençoou com três palestras intrigantes e cativantes.



  

No sábado à tarde tivemos os pequenos grupos e uma gincana especial. Esta foi uma proposta totalmente nova e, por isso mesmo, a expectativa era grande pela adesão dos membros da igreja. 
Foi muito emocionante observar as crianças se divertindo com brinquedos que não eram eletrônicos - esta foi uma das tarefas compartilhadas durante a semana. Eles interagiram muito bem e descobriram novas alternativas para a diversão em grupo. Além disso o setor infantil abraçou a ideia de desenvolverem o mesmo tema estimulando as crianças a pensarem sobre a 'VIDA NA REDE" dentro o universo delas.
Caminhando para o final da tarde nos reunimos para uma grande Gincana, coordenada pelo Marcílio. Ao final do Congresso apresentamos um novo desafio - O PROJETO PENSE LARANJA e, antes da pizza (também as que as crianças produziram) a 'ginastiquinha'.



Fazendo pizza

Hora da gincana

PG adolescentes com Cassia Borges

subgrupo PG dos adultos - Anna Viveca

subgrupo PG dos adultos - Anna Viveca

subgrupo PG dos adultos - Anna Viveca

subgrupo PG dos adultos - Anna Viveca

PG 3a idade - facilitadora Danielle Medeiros

Ginastiquinha antes da pizza


Grupo de trabalho para o Congresso da Família:
Hudson e Marilia, Marcos e Jaqueline, Alexandre e Eliane, Eli e Beth, Rolant e Christine, Danielle e Helder, Marcio e Bruna, Damião e Dayse, Harley e Raquel, Mario Marcio e Fabiana, Pr. Daniel e Adriana e Pr. Marcelo e Anna






22 de abr. de 2016

Nó direito e o Mario Marcio Verissimo

Ainda estou sob o impacto do falecimento do Mario Márcio Veríssimo. Ouvi, vi e experienciei vários comentários sobre ele e, confesso, não esperava nada diferente. Ele deixou marcas. Marca de alegria, paixão pulsante, paternidade envolvente e vida, muita vida. 
É impressionante perceber como a morte é uma agressão à vida e como a vida insiste em gritar presente mesmo em momentos como estes. Não nascemos para a morte mas somos escravos dela pela condição de pecadores. Mario também deixou marcas em mim. Não dessas experiências que quase entronizam as pessoas com os anjos. 
Marca de verdade é feita com história de dor. Hoje esta marca é uma cicatriz. Não é ferida aberta mas a marca está aqui para denunciar a presença dele e a restauração divina. Nos desentendemos feio. Creio que foi a maior tensão que vivi no espaço eclesiástico. Não foram poucos dias sem conseguir cantar. Gritamos um com o outro, nos ofendemos e, pela instrumentalidade do pastor Novaes, nos encontramos para 'colocar as cartas sobre a mesa'. O encontro foi feio. Saiu faísca pra todo lado. Saí daquele encontro com 'um bico'... Aí, depois de mais uma noite sem sono, comecei a perceber que estávamos discutindo, brigando, quase nos atracando fisicamente e estávamos com o mesmo objetivo. E, mais do que isso, percebi que a gente só briga porque se importa. O que nos incomoda é, de alguma forma, algo nos afeta. O que ignoramos não nos afeta. Tomar consciência disso me fez perceber que o admirava. Antes desse 'entrevero' conseguíamos conversar sobre o desenvolvimento dos meninos, sobre o mistério de ser pai, sobre a administração da saúde diante de doença crônica e até, do por incrível que pareça, sobre futebol. E isto não era nada simples. Eu torcedor do Flamengo e ele, como todo mundo sabe, apaixonado vascaíno. Lembrei disso tudo e percebi que, no fundo, queríamos investir no fortalecimento das famílias, cada um do seu jeito, cada qual sob seu ponto de vista mas os dois com o mesmo intento. 
Naquela noite eu consegui orar. Orar por mim, agradecer pelo Mario e ter coragem de perdoar, abrir mão (isso é complicado...) e pedir perdão. Comecei a perceber que tínhamos muito mais semelhanças do que diferenças. Fiquei mais leve quando falei com ele. Ele, sempre muito verdadeiro, não aceitou as desculpas nem quis falar comigo. Aí vi, de forma muito explicita, que 'passei da conta'. Em nome do zelo, da doutrina, da tradição passei por cima. Passei por cima de um irmão e Deus nunca, nunca me estimulou a fazer isso. Não insisti. Fiquei quietinho e deixei o tempo passar.
Eu não tinha mais problema para orar, nem para cantar mas, de alguma forma, o Mario sempre estava ali em minhas orações. Num domingo, nem sei qual, ele falou comigo de forma bem fria: 'e aí, beleza?" Respondi que não, e emendei logo que não tinha raiva dele. O tempo passou, deixei a coordenadoria da família por dois anos e, quando fui convidado à voltar, falei com ele antes. Perguntei o que ele achava da indicação, ainda disse que necessitava dele e que também desejava ter sua presença, sua paixão e sua alegria contagiante como parceiro neste ministério. Ele, prontamente se dispôs a ajudar.
Hoje, chorando no culto fúnebre e cantando 'você pode ter a casa repleta de amigos, paredes e pisos cobertos de bens...,mas nunca terá a paz que existe lá dentro que não se encontra pra poder comprar, porque esta paz só tem a pessoa que se encontra com Cristo", louvei a Deus pela vida do Mario Márcio, pelo pastor Novaes e, especialmente porque Deus me ensinou muito, muito mesmo através da vida do Mario. Pessoas valem mais. Pessoas são maiores e mais importantes que instituições. Nenhum zelo justifica a falta de amor. Louvei a Deus porque não ficou ferida aberta entre nós. Louvo a Deus porque tive oportunidade de atar um laço e desfazer um nó. A cicatriz está aqui mas ela serve para eu lembrar dele e lembrar que o Senhor me ensinou a perdoar porque eu também recebi perdão.



15 de abr. de 2016

Roseli e a sabedoria do 'Selah'

O maior livro bíblico é uma coleção de poesias.
Todos nós sabemos que poesia é coisa de gente. Atividade natural de gente sensível à realidade histórica, às circunstâncias, aos sentimentos, à vida. Por isso mesmo a Bíblia contém salmos de angústia, salmos de lamento, salmos políticos, salmos de peregrinação, salmos de louvor, salmos de gratidão, salmos de alegria.Vale a pena lembrar que somos humanos e a bíblia deixa muito claro, em sua essência, que essa humanidade não deveríamos perder. Sentimentos não deveriam ser ignorados nem rejeitados mas administrados com sabedoria.
Observe alguns s versículos do Salmo 66, um salmo de alegria:

Todos juntos aclamem o Senhor — aplausos para Deus! Cantem canções sobre a grandeza da sua glória, glorifiquem o seu nome em ritmo de louvor. Digam de Deus: “Nunca vimos nada parecido com ele!”.
Observem as maravilhas de Deus — elas são de tirar o fôlego. Ele converteu o mar em terra seca, e os viajantes atravessaram o rio a pé. Ora! Não seria esse um bom motivo para cantar?
Não nos pôs ele no caminho para a vida? Não nos impediu de escorregar? Ele nos treinou primeiro, passou-nos como prata pelo fogo refinador: Todos os fiéis, venham aqui e ouçam: permitam-me dizer o que Deus fez por mim. Dos meus lábios saiu um grito; da minha boca, uma canção.
Mas ele me ouviu, ele veio me ajudar assim que ouviu a minha oração. Bendito seja Deus, que não se fez de surdo, mas ficou do meu lado, porque me ama e é leal!

Sob um perspectiva poética, cada vida é, um salmo, uma música, um filme, uma poesia.
A vida da minha amiga Roseli Lassarot é uma bela poesia. Poesias de vitórias, de conquistas, de relacionamento, de valorização do ser humano, de amor.
Para ilustrar isso de forma didática transformei Roseli, com alguns riscos, num personagem para nos ensinar o que poderia ser a palavra SELAH.
Escolhi dar foco à expressão hebraica porque ela aparece várias vezes neste salmo e também percebi que ela ocorre em outros registros desse livro poético. Selah é uma `palavrinha' está lá no original e creio que pode nos ajudar e estimular à reflexão.
Selah causou muita curiosidade e fomentou inúmeras pesquisas. Existe unanimidade que este registro é um termo musical, isto facilmente foi aceito porque estas poesias eram, em sua maioria, letras de músicas. Então Selah é um sinal, um indicativo, um registro para uma expressão cultual. Mas nem tudo que se relaciona ao sinal é consenso. Os teólogos não chegaram a uma conclusão do que significaria `selah` para a música. São três vertentes muito fortes para este sinal:


SELAH pode ser uma PAUSA, ou interrupção para mudança
SELAH pode ser derivado de 'salal', que é LEVANTAR
SELAH pode também ser AMÈM (assim seja) concordando com o que acabou de ser cantado.

Foi a partir dessas informações que parei para pensar:
A vida, que já chamei de poesia, também nos oferece alguns desses 'sinais' que marcam o tempo. Os poetas bíblicos ensinam que 'há tempo para todas as coisas...' (Ec 3) e também que 'devemos aprender a registrar cada dia' (Sl 90.12)  ou 'que cada dia tem sua própria história' (Sl 96.2).
Sendo assim, existem períodos na poesia de nossa vida, em que deveríamos valorizar a pausa, a finalização de uma etapa. Em outros momentos o mais apropriado seria levantar, começar uma nova fase, deixar a chamada zona de conforto. E ainda, em alguns momentos, o ideal é pularmos de alegria, cantar alto e dizer amém, amém, amém. Momentos como o que vivemos num aniversário, táo especial, como o da minha amiga.
Minha oração é que a Roseli continue com percepção aguçada para saber a melhor atitude, o melhor `selah`que deve ser vivido para enfrentar as diversas circunstâncias da vida.

30 de mar. de 2016

Muito prazer, meu nome é Ana

Meu nome é Ana. Esposa de Elcana. Marido amoroso, mesmo eu não lhe dando filhos. Minha infertilidade fez Elcana casar-se com Penina. O regime de bigamia era legal e tive que conviver com a segunda esposa de Elcana. Continuei sendo a esposa amada de Elcana e isso despertou ciúme e inveja em Penina. Dia-a-dia ela me irritava. Lembrava-me sempre da minha condição de esterilidade. Eu sofria calada. Já não dera filhos a Elcana, não podia me tornar uma mulher richosa. Estava deveras triste. Imagine meu tormento: A mulher que não dava descendentes ao marido era considerada indigna e logo suspeitavam de algum pecado. Eu não pecara, mas Deus havia cerrado minha madre e ainda tinha que aguentar as picuinhas de Penina. Éramos muito religiosos. Obedientes as leis íamos anualmente ao Tabernáculo, em Siló. As ofertas queimadas e os presentes que Penina recebia, por cada filho que possuía, era exibido por ela de forma a me afrontar. Meu marido também me dava presentes, e isso aumentava ainda mais a inveja de Penina. Meu espírito se esmoreu e se abateu com esta situação. Não conseguia comer. Meu marido percebeu minha tristeza e questionou-me se não era bom marido. Se ele não me dava segurança como se dez filhos tivéssemos!! Ah!! Ele me amava, mas não entendia minha indignação. Eu busquei Deus. Em jejum, no Tabernáculo, me derramei diante do Senhor clamando e pedindo que me desse um filho homem e me livrasse de tanta vergonha e humilhação. Orei tão fervorosamente que gesticulava e movimentava meus lábios, sem emitir som algum, para não despertar a atenção dos outros. Eis que o Sacerdote me observou, se aproximou e me repreendeu achando que estivesse embriagada. Imagina!! Eu era uma mulher triste e aflita. Eu viera para orar e buscar em Deus, uma benção. Disse-lhe que fizera um pedido e uma promessa a Deus. Não para manipular ou para obriga-lo a me atender. Não!! Eu sou uma serva fiel. Deus conhece meu coração. Então Eli dispensou a benção sacerdotal e me mandou embora. Minha fé foi fortalecida. Em casa, não me deixava mais abater pelas circunstâncias. Como serva devota eu aguardava o tempo de Deus para minha benção chegar. Meu coração se alegrou de tal maneira que a beleza estampou o meu rosto. Meu marido desejou estar comigo. Ah! O Senhor lembrou-se de mim e concebi um filho. Seu nome: Samuel, significa "Pedido a Deus". A família estava completa. Samuel não era o primogênito de Elcana, mas seria o filho usado para servir a Deus, como eu havia prometido. Samuel seria Nazireu desde o seu nascimento e por toda vida. Seus cabelos não seriam cortados e cresceria sob os cuidados de Eli para aprender a servir a Deus. E Elcana sabedor de tudo que se sucedeu, concordou comigo. 




Chegado o tempo de ir à Siló para as ofertas pedi consentimento a Elcana para ficar em casa com Samuel até que fosse desmamado. Mais uma vez Elcana foi compreensivo e concordou comigo. Decorridos três anos, Samuel desmamado, era tempo de ir ofertar, em Siló. No Tabernáculo, levei o menino a Eli. Senhor!! Lembra-se de mim?! Sou aquela mulher devota a quem o Senhor abençoou. Deus atendeu minha oração e me deu o filho homem que pedi. Agora trago-o para ser criado na Casa de Deus, e cumprir minha promessa, todos os dias de sua vida. Agradecida à Deus cantei e louvei a Deus que tudo sabe. Ao Deus que pesa nossas ações e nos abate e eleva. Samuel ficou. Voltei para casa com a missão de interceder por meu filho. Orei para que Deus o abençoasse e o livrasse da influencia das práticas erradas dos filhos de Eli. E Samuel servia a Deus e crescia em estatura, e tornava-se o predileto de toda gente. Ano após ano eu levava uma túnica de linho igual ao manto do Sacerdote, para Samuel vestir. Abençoados por Eli tivemos mais três filhos e duas filhas. Depois de muito tempo sem falar diretamente com os profetas, Deus manifestou sua Palavra à Samuel, em sonho. E eis que Samuel se tornou o último juíz de Israel, abençoado e usado poderosamente por Deus. Para encerrar este testemunho digo que o marido deve amar sua mulher. Digo que o Império da mulher casada é seu lar. O casal deve orar junto. Devem ser concordantes nos pedidos e votos que fizerem diante de Deus. Não murmurem. Não olhem as circunstâncias. Não deixem as almas se abaterem. Derramem-se sem reservas, ao Senhor, pela sua família. Sejam obedientes. E Deus concederá o desejo dos seus corações. Alegrem-se no Deus da sua salvação que é onisciente, onipotente e onipresente. Estejam dispostos a entregar-lhes seus planos e a cumprirem sua divina vontade. Prontifiquem-se em serem canal de benção onde vocês estiverem. Deus é fiel e será louvado

texto de Raquel Soares

16 de mar. de 2016

Muito prazer, eu sou Abraão

Nasci em Ur, mas depois de casado com Sarai, sai com meu pai, esposa e sobrinho para Harã. Ali meu pai faleceu e o Senhor mostrou-me o caminho a seguir. Passei pela terra prometida e fui ao Egito. Ali prosperamos, mas fomos banidos, pois menti ao faraó dizendo ser Sarai minha irmã, não esposa. Voltamos a Canaã e separamo-nos meu sobrinho Ló e eu.
O Senhor já havia prometido fazer de mim uma grande nação, mas minha esposa era estéril. Esperamos pela promessa e como ela não se cumpria, decidimos então que eu me deitaria com uma das servas de minha esposa, Agar. Deste ato nasceu Ismael. Cria que este seria o descendente prometido por Deus, contudo o Senhor tinha outros planos. Estabeleceu, pela circuncisão, um pacto comigo. Ele mudou meu nome para Abraão e o de Sarai para Sara. Ele tocou minha esposa e esta, mesmo em idade avançada, concebeu a Isaque.
Temendo pela vida de Isaque, e convencido por Sara, expulsei Agar e Ismael do acampamento. Estava certo que o Senhor os protegeria, pois me prometera fazer de Ismael também uma grande nação.
Isaque crescia em estatura e sabedoria e então o Senhor colocou-me à prova. Mostrou-me o local onde faria um holocausto. Conduzimos, Isaque e eu, todo o material, exceto o animal a ser sacrificado. Isaque desconfiou, mas eu nada lhe disse. Teria que sacrificar o filho que Deus me prometera. Aquilo me apertava o peito e inquietava minh’ alma, mas como não cumprir Sua ordem?
Isaque percebia o que estava para acontecer, mas não fugiu ou se deixou abater. Ele confiava em mim, como eu confiava no Senhor. Estava prestes a dar o golpe fatal, quando Deus me impediu. Ele estava satisfeito com a minha fidelidade a Ele. Proveu-nos de um cordeiro, fizemos o holocausto e adoramos ao Senhor.

Aos 137 anos de idade perdi minha esposa, mas ganhei uma nora. Rebeca desposou meu filho e me deram netos. Casei-me novamente e tive mais 6 filhos. E aos 175 anos o Senhor me chamou.

Texto de Walcício Soares

2 de mar. de 2016

Vocação e chamada 3

Voltei  ao STBSB porque fui, 'cutucado'. Quando deixei o seminário em 1984, sei que foi uma tristeza para minha família. Meus pais, meus irmãos nunca reclamaram diretamente porque sabiam que eu 'gostava de arte'. Cada vez que me perguntavam o porquê,  eu respondia: fiquem tranquilos eu 'sou crente' e só quero servir ao Senhor do meu jeito. A cada igreja, em cada comunidade a que pertenci, me envolvia, logo 'virava' professor de EBD e então, obrigatoriamente estudava a Bíblia. Assumi cargos de liderança e, profissionalmente desenvolvia minha vocação. Tão novo, com cerca de 30 anos substituí meu amigo e querido pastor João Falcão Sobrinho, em um período em que ele esteve enfermo, enquanto atuava como primeiro vice- presidente na PIB de Irajá. Agora, mais velho, carrego a imensa responsabilidade de ocupar a vice presidência desta igreja, tendo o pastor Carlos Novaes na liderança. Inúmeras vezes ouvi as pessoas me chamarem de pastor. Sempre recebi como manifestação de carinho. Porém, todas as vezes em que ouvia ou me imaginava pastor, me lembrava da fala da Marilia: 'não quero ser esposa de pastor'. Cada vez que ficava incomodado com isso fazia uma transferência total do problema para Deus. Dizia eu: 'Senhor, sei que ela é a minha esposa. Sei que ela é presente Teu para minha vida. Sei também que, depois do Senhor, ela é a prioridade em minha história. Então, 'resolve este problema', eu orava. 'Quando o Senhor quiser estou aqui, mas fala com ela Senhor!' Orava assim, de forma infantil, para eu não ficar envaidecido com a sedução pastoral. O tempo passou e deixei de orar sobre isso. Parei de orar entendendo que o que deveria fazer era servir. Fui chamado para servir ao Rei Jesus como pudesse e onde estivesse. E quero dizer que ainda creio firme e confiadamente nisso.
Mas, em setembro no ano passado, substituindo o pastor Novaes num convite recebido para ser o preletor no Retiro de Casais na PIB de Vila da Penha, ocorreu o inesperado. Todo material de divulgação e as imagens da projeção estavam com a apresentação do 'pastor' Hudson. Logo que vi, tive o cuidado de, antes da primeira noite, falar com o pastor da Igreja,  pastor João, que eu não era ordenado pastor e que ele deveria, por favor, fazer esta justificativa para os retirantes. Falei isso, porque, pouco tempo antes, fazendo um série de sermões na igreja de meu amigo, Pr. Isaías , no DF, fui por muitas e muitas vezes chamado de pastor, e a cada vez me sentia constrangido com a situação. Ouvindo isso, o pastor João Melo disse, de forma muito amigável e simpática, que não iria mudar nada. Ali eu seria o 'pastor' daqueles casais. E ainda disse, perto da Marilia, que eu deveria assumir meu ministério e entender que meu rebanho eram as pessoas que nós cuidávamos na igreja. Então, respondi, com o 'jeito Hudson de ser', que a igreja da Vila da Penha era dele e ele é quem mandava: se era para ser 'pastor', e eu obedeceria. Eu, Marília , pastor João e sua esposa Priscila rimos juntos e conversamos um pouco naquela varanda antes da primeira noite de retiro. Pela misericórdia do Senhor, tudo correu muito bem. Só que, na volta para casa, depois de tantas vezes ouviindo as pessoas me chamando de pastor  naquele retiro, Marilia me disse: 'Amor, vamos resolver isso logo! Pare de palhaçada e peça logo para ser ordenado pastor!' Como assim? - perguntei. Ela disse que eu já era 'pastor', que a maioria das pessoas já me viam assim e que não daria para ficar adiando mais este referendo eclesiástico. Ela disse que, do que jeito que estava, parecia que estávamos sustentando uma mentira e enganando os irmãos. Perguntei brincando, se ela não tinha tomado o seu 'remedinho'e fiquei quieto. Não contei a ela sobre as minhas orações do passado. Confesso que achei que ela iria esquecer logo daquela  conversa . Mas, qual não foi a minha surpresa quando ela voltou ao assunto naquela mesma semana, cobrando a minha ligação para o pastor Novaes pedindo a ordenação. Conversamos muito. Contei toda esta história para ela e perguntei se não a estava traindo. Ela disse que não e que ficaria em paz se eu fizesse isso. Só então liguei para o pastor, que naquele mesmo dia marcou a apresentação da proposta para a assembléia da igreja. E assim, aqui estou. Continuo crendo que todos somos vocacionados e que desejo servir a Deus. Creio que só se serve a Deus servindo às pessoas. Não quero pensar em sustentar uma mentira, iludir o povo de Deus e, muito menos alimentar 'a aparência do mal' na cabeça dos irmãos.

Fim. Para entender toda a história sugiro ler Vocação e Chamada (neste blog) 1 e 2

Vocação e Chamada 2

Mesmo com a 'ameaça' de perder a namorada, fui para o STBSB em 1984. Fiquei por seis meses morando no espaço chamado de "Navio Negreiro'. Saía do trabalho e me deslocava para as aulas noturnas, no curso que apelidavam de 'cipó' (porque o aluno anda sempre pendurado). Graças a Deus conheci professores que foram muito além de depositantes de conhecimento em sala de aula. Foram educadores na acepção máxima da palavra. Gente como o professor Silvino Neto, professor que me ajudou muito. Foi o professor Silvino que me estimulou a entender que Deus vocaciona a todos.Ele questionou:por que não servir a Deus com o dom que ele te deu? Fui com a pergunta para o 'Negreiro' e resolvi 'fazer as 'malas'. Decidi prestar vestibular para Artes Plásticas no Instituto Bennett. Fiz a prova, passei em primeiro lugar por conta da prova de habilidade específica e deixei definitivamente o STBSB. A cada dia de aula na faculdade de artes me sentia mais próximo da vontade divina. Me encontrei como cidadão, como ser humano, como arte-educador e, por incrível que pareça, como cristão. No final do curso, depois de cinco anos de namoro com a Marília, resolvemos nos casar.
A cada dia uma dádiva! São mais de vinte e sete anos e minha casa é um abrigo para minha alma. Nosso filho, tão querido, é exatamente que o seu nome significa: um presente de Deus. Entreguei ao Senhor a minha vida e depois, como é natural, perguntei: e agora, o que faço? Fui fazendo o que sabia. Nunca tive dúvidas de minha vocação e chamada. Fui desenhando e servindo. Servindo a Deus com o desenho. Desenho para JUERP, desenho para UFMBB, desenho para JMM, desenho para JMN e desenho para JUMOC e JURATEL. Aprendendo muito com toda literatura, com os redatores, com o retorno dos leitores. No entanto, cresci também profissionalmente fora da denominação. Fui premiado por dois de meus trabalhos feitos para uma editora secular. Todavia, por uma  perspectiva errada de Reino, decidi largar tudo. Assim, pedi demissão desta editora e, com essa decisão, perdi cerca de 30% de nossa renda familiar, Marília estava comigo nisso. Fomos para Campinas, trabalhar na JUMOC. Lá aprendemos muito. Muito mesmo.
Quando completei quarenta anos de vida, aqui nesta igreja, num final de culto matutino, pastor Novaes conversou rapidamente comigo, aqui na frente, e me instigou a voltar para o STBSB. Que responsabilidade!! Disse que não queria pensar nesse negócio de ser pastor. Ele me respondeu que tinha dito que era para eu voltar ao seminário e não para ser pastor. Voltei. Tive o prazer de ser um dos mais velhos da turma (kkk). Que período abençoador, desafiador e de grande aprendizado! Cutuquei muito meus colegas de turma, critiquei muito a instituição (criei um jornaleco chamado de "A Mula de Balaão' para denunciar as 'bobagens' que os futuro pastores faziam na 'Colina'). Dez anos se passaram. E eu estou aqui, enfrentando um concílio para o ministério pastoral.

Continua em Vocação e chamada 3